quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Isto continua a aquecer

Depois de Passos e do bis de Miguel Relvas, Paulo Macedo tornou-se hoje no terceiro membro do Governo a ser silenciado por protestos, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Um grupo de manifestantes interrompeu o ministro da Saúde cantando o "Grândola Vila Morena" e expondo casos concretos como a falta de dinheiro para comprar medicamentos ou para pagar taxas moderadoras. No meio das palavras de ordem foi ainda pedida a demissão do Governo. O incidente não durou mais de quatro minutos. A seguir, os manifestantes deixaram a sala e Paulo Macedo retomou o seu discurso sem fazer comentários.

Vagamente relacionado: Reagindo às declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que afirmou que os protestos de que foi alvo esta terça feira no ISCTE foram da responsabilidade do Bloco de Esquerda, João Semedo frisou que “é preciso ter noção de que a impopularidade do ministro Miguel Relvas é património nacional”. Segundo o coordenador do Bloco de Esquerda, trata-se de uma “afirmação gratuita sem qualquer sentido e sem qualquer fundamento”, já que “o Bloco não teve qualquer relação com os incidentes de ontem”.

Ainda mais vagamente: fonte oficial da PSP do Porto confirmou ao PÚBLICO que cerca de 10 pessoas que se manifestavam, cantando, foram “identificadas no seguimento da altercação”. A mesma fonte não conseguiu, contudo, explicar qual a suspeita de crime que estaria em causa imputar aos manifestantes, a qual, segundo a lei, é requisito para a identificação. “Foi elaborada uma informação circunstanciada da ocorrência em forma de relatório. Não se sabe, no entanto, qual é o crime que estariam a cometer e pelo qual foram identificados”, disse a fonte.

1 comentário:

Carlos disse...

Os protestos dispersos que recebem governantes ao som de "Grândola Vila Morena" contêm em si a semente do incontrolável. Já não são organizados com antecedência nem por uma estrutura conhecida e previsível. Não. Têm o poder atómico e viral da Internet, porque se reproduzem em átomos múltiplos, dispersos e imprevisíveis. De boca em boca, de ecrã em ecrã, usando apenas o poder da palavra, da rede e da imaginação.

É por isso que o Governo está tão preocupado. Como se controla uma manifestação assim? Não se controla. Uma só voz que se levante numa sala cheia tem a capacidade de criar um coro que cala quem está habituado apenas a ser ouvido. Agora é o cidadão comum que quer ser ouvido.