quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Era uma vez um Álvaro, que tinha um delinquente de estimação

A história que ora vos conto começa esta manhã, com a publicação pelo Expresso da notícia, com a forma de “o Expresso soube”, de duas cartas alegadamente enviadas em 2008 pelo novo Secretário de Estado do “empreendedorismo” ao Banco de Portugal a denunciar as irregularidades por si detectadas no BPN. Prossegue com o Ministro da Economia a elogiar esse feito heróico do seu novo ajudante para, quase a seguir, voltar a escrever-se no Expresso, que se desmente a si próprio e ao Ministro, onde podemos ler que as afirmações de Álvaro Santos Pereira não têm sustentação nas atas da primeira comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN e que, pelo contrário, nos trabalhos dessa comissão, ficou claro, na audição então feita a Franquelim Alves, que o mesmo não só validou contas fraudulentas como, tendo conhecimento de ilícitos relacionados com o Banco Insular, não os comunicou de imediato ao Banco de Portugal.
Estamos, portanto, diante de uma tentativa frustrada de manipulação da verdade através de propaganda distribuída aos meios de comunicação social. O caso mudou de figura. Já não se trata apenas da escolha para o Governo de um esperto que singrou na vida à custa de uma série de falcatruas que custaram milhares de milhões de euros aos portugueses. Agora há também um ministro a mentir deliberadamente com base numa operação mediática previamente preparada para lhe dar suporte material. Ficam a faltar as demissões dos dois mentirosos desta história. E, se não for pedir muito, continua a faltar o julgamento de alguém que conscientemente validou contas fraudulentas no banco para o qual trabalhava. Isto só não será crime se quem tem o poder de alterar as leis tiver a habilidade suficiente para conferir ao acto a impunidade por si desejada.

1 comentário:

Filipe Tourais disse...

A deputada Mariana Aiveca questionou o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, na comissão parlamentar de segurança social sobre a nomeação de Franquelim Alves, ex-administrador da SLN para secretário de Estado: “Pergunto-lhe: Chegaram ao fim da linha? Não têm mais ninguém para nomear? Senhor ministro, tem necessidade disto? Acha que o seu ministério, acha que o país precisa de um secretário de Estado para a competitividade e a inovação com este curriculum?”

A deputada do Bloco concluiu: “Nós achamos que não e achamos que só lhe resta exatamente uma solução: demitir este secretário de Estado!”

O ministro da Economia acusou “alguns partidos” e “algumas pessoas” de “uma tentativa de linchamento político” de Franquelim Alves e procurou defender o seu atual secretário de Estado, afirmando que “foi uma das pessoas que ajudou a desmascarar a fraude do BPN”. Para justificar esta tese, Álvaro Santos Pereira invocou uma “carta de 2 de junho de 2008”, que Franquelim Alves teria escrito a denunciar as irregularidades.

A deputada Mariana Aiveca respondeu então ao ministro: "Não vale a pena vir aqui fazer o papel quase de calimero relativamente à nomeação do seu secretário de Estado para o empreendedorismo e inovação. Não vale a pena vir fazer esse papel, porque esse é o papel de branqueamento do secretário de Estado que nomeou".

Na verdade, a carta a que se refere o ministro é da administração da SLN, é uma resposta a perguntas do Banco de Portugal e só surgiu depois de se saber as irregularidades do grupo.

A TVI recorda que a 2 de junho de 2008 a administração da SLN já conhecia o Insular há três meses, pelo menos.

Na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do BPN, em 2009, o então governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, disse que foi “em 2008 e por denúncia anónima é que o Banco de Portugal perguntou à SLN se tinha alguma ligação ao Banco Insular”.

Na mesma comissão parlamentar em março de 2009, o próprio Franquelim Alves admitiu que conheceu o Banco Insular em fevereiro de 2008, quatro meses antes da referida carta de resposta às perguntas do Banco de Portugal.

Franquelim Alves justificou-se assim na comissão parlamentar:

“Julgo que aqui houve, acima de tudo, uma atitude de prudência de apenas comunicar ao Banco de Portugal as situações no momento em que havia a certeza inequívoca que havia casos graves de irregularidades, e, no caso do Banco Insular, de fraude efetiva”. (daqui