terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Deixem-nos trabalhar


Segundo o I, a Whitestar, uma empresa de recuperação de créditos de cobrança duvidosa que opera em Portugal e fez parte do universo do banco de investimento Lehman Brothers, vai participar no concurso que o governo lançará ainda neste trimestre para a gestão da carteira de activos tóxicos do BPN. Faz sentido. Se, por reconhecido mérito e devoção à causa, um administrador da sociedade lusa de negociatas chegou a secretário de Estado, por que diabo é que uma empresa que tem no curriculum a participação num dos maiores buracos financeiros da História da humanidade não há-de poder desenvolver a sua actividade em Portugal? O BPN é uma brincadeira de crianças se comparado com o Lehman Brothers e ao menos aqui há a garantia de que ninguém lhes faz mal.

Vagamente relacionado: João Moreira Rato, nomeado, em 2012, Presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, EPE por proposta do ministro das finanças Vítor Gaspar, usufrui de uma remuneração mensal de 10.800 euros. O salário deste gestor é superior à remuneração do presidente da República e representa o dobro do montante recebido por Pedro Passos Coelho. O rendimento deste gestor público anterior ao seu início de funções enquanto presidente do IGCP é, contudo, desconhecido, já que, na declaração de rendimentos que entregou no Tribunal Constitucional, e que lhe é exigida por lei, omitiu o seu rendimento anual, afirmando apenas que esteve fora do país e que declarou os seus rendimentos no Reino Unido. Nessa mesma declaração Moreira Rato também não referiu ter exercido funções como director executivo da Morgan Stanley, conforme adianta o CM. Antes de ser nomeado presidente do IGCP, e segundo a sua nota curricular, este gestor público foi director executivo da Morgan Stanley e passou pela Goldman Sachs e o Lehman Brothers, tendo ainda fundado uma gestora de ‘hedge funds' em parceria com o BES - a Nau Capital. Moreira Rato integrou também, antes das eleições de 2011, o grupo de coordenadores do gabinete de estudos do PSD, que contava igualmente com a presença do actual ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, e a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e foi vice presidente do Fórum da Competitividade de 2008 a 2012.

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