quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Caluda, cuidado com os mercados

A imprensa não faz por menos. A causa não pode ser outra. Os terríveis mercados estão a castigar a Espanha pela crise política. Quantificando o alardeado castigo, verificamos que se trata de uma subida de 0,3 pontos percentuais numa emissão de dívida relativamente à emissão anterior. É este o preço que a imprensa sugere para a onda de indignação suscitada por um escândalo de corrupção que rebentou nas páginas do El País, onde os espanhóis e o mundo puderam constatar preto no branco que Espanha é actualmente governada por mafiosos da pior espécie. Quanto é que custou e continua a custar aos espanhóis serem governados por gente tão idónea é questão afastada por essa narrativa tão nossa conhecida, segundo a qual a estabilidade deve ser preservada a qualquer preço para que os mercados não descarreguem a sua ira sobre os irresponsáveis que ousem indignar-se.
Já imaginaram bem a vergonha que seria para todos nós se os mercados nos castigassem com 0,3% na próxima emissão de dívida se os portugueses tivessem a mesma reacção que tiveram os espanhóis ao saberem que em Dezembro, pela calada da noite, o Governo enterrou mais mil milhões de euros nas sociedades criadas para concentrar os activos sem qualquer valor que figuravam no balanço do BPN como valendo milhões? No nosso caso, e cingindo-nos apenas ao BPN, se sermos governados por gente tão séria já nos custou mais de 7 mil milhões de euros, também nos rendeu um empreendedor que, aos 16 anos, com conhecimentos adquiridos muitos anos antes de se licenciar, já recuperava multinacionais ao serviço de uma consultora que apenas abriu portas na Europa deza9 anos depois. Como é bom de ver, ao contrário dos espanhóis, nós continuamos a ganhar. E os mercados continuarão a saber reconhecer-nos como um povo adorável enquanto nos portarmos como manda a santa estabilidade. Vá lá, portem-se bem.

2 comentários:

Anónimo disse...

“No currículo que entreguei ao senhor ministro estava claramente expresso [que trabalhei na SLN]”, disse em entrevista à RTP. O recém-empossado secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação acrescentou que ficou surpreendido com a ausência dessa informação no primeiro currículo divulgado pelo Governo e que não deu “ordens desse tipo”. O Secretário de Estado a acusar o Ministro de ter apagado as partes pornográficas do curriculum que lhe entregou. Não estava lá, por exemplo, que está proibido de exercer funções na área financeira pelo Banco de Portugal, mas já tudo serve para se fazer passar por santo. Álvaro Santos Pereira já não é a primeia vez que evidencia que não se importa de passar por parvo.

Anónimo disse...

Vamos ao que consta do património da primeira comissão de inquérito ao BPN sobre o papel de Franquelim Alves.

FA participou em três reuniões da administração do grupo com o BdP. Pelo menos numa com a companhia de Oliveira e Costa. Nessas reuniões nem uma palavra saiu da sua boca nem dos restantes administradores sobre o que se passava no grupo SLN/BPN. O que aliás não é para estranhar: essas reuniões serviam exatamente para ir enganando o BdP.

Franquelim Alves confirmou ter assinado, em 2008, contas de 2007 sabendo que elas estavam marteladas, inclusive não refletiam o que já se conhecia dos movimentos do Banco Insular, tudo em nome da prudência e da prevenção de uma crise profunda que, aliás, haveria de rebentar uns meses mais tarde porque houve quem, precisamente e ao contrário de Franquelim Alves, tivesse escolhido o caminho da verdade e não o da ocultação.

Falemos agora das cartas ontem usadas por Álvaro Santos Pereira, numa tentativa desesperada de reescrever a história do BPN/SLN e do papel de Franquelim Alves na sua administração, numa tentativa grosseira de um ministro manipular a comissão parlamentar e de enganar o Parlamento e a opinião pública. Este comportamento é de uma extrema gravidade e não pode ficar em claro.

Em janeiro de 2008, o BdP pede esclarecimentos sobre o Banco Insular. Não obteve resposta, como aliás sucedeu durante anos a fio.

Em abril de 2008, o BdP alerta o CA da SLN para as responsabilidades individuais de omissão de respostas ou prestações falsas.

Apesar disso o CA do grupo, ainda em maio e depois em junho, insiste na velha tática das respostas redondas que nada respondem nem esclarecem. As cartas revelam exatamente o contrário do que pretendia Álvaro Santos Pereira quando as usou como certificado de bom comportamento de FA: as cartas não denunciam seja o que for, as cartas mais uma vez escondem e ocultam para que servia o Banco Insular.