sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Batatas e buracos


O Governo pediu 900 milhões, Herman Van Rompuy propôs 500 milhões, a União Europeia aceitou conceder 500 milhões de euros. É este o valor do montante extraordinário destinado a apoios agrícolas sem co-financiamento nacional no quadro da nova proposta de compromisso sobre o orçamento comunitário até 2020 que está a ser "negociado" na cimeira de líderes da União Europeia. Até 2020, Portugal receberá sensivelmente metade dos 1033 milhões que o Governo voltou a enterrar duma só vez em Dezembro passado num empréstimo sem retorno que concedeu à Parups e à Parvalorem, as sociedades-veículo do BPN  que foram criadas para absorver o “lixo tóxico” amontoado pelos delinquentes que o admnistravam. 500 milhões são menos de metade dos 1100 milhões que injectou no BANIF, um terço dos 1500 milhões que enterrou no BPI, um sexto dos 3 mil milhões que enterrou no BCP e apenas 7 por cento dos 6633 milhões que num só ano enterrou em todos eles. Temos um Governo com prioridades bem definidas, medidas por estas discrepâncias, e ao qual ainda sobra descaramento para falar na importância da nossa agricultura e das janelas de oportunidade que oferece ao empreendedorismo nacional. Os portugueses a cavar batatas e os banqueiros a cavar buracos, é aguentar os sacrifícios só mais um bocadinho porque estamos mesmo quase a vencer a crise. Está-se mesmo a ver que vamos conseguir.

Vagamente relacionado: os líderes europeus chegaram a um acordo sobre o orçamento comunitário. Portugal receberá menos 9,7% do que no actual orçamento. É mais uma grande vitória. Passos Coelho diz que o valor é melhor do que a proposta inicial.

Ainda mais vagamente: o BCP registou um prejuízo recorde de 1200 milhões de euros. Em dois anos, o banco perdeu mais de dois milhões de euros.


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