domingo, 24 de fevereiro de 2013

Aquela gripe que mata


Não sei se o termo "regressou" é o adequado. Desta vez, estamos em "poupança", nome usado pelo regime para tornar tolerável a delapidação da dignidade e da qualidade de vida das pessoas. Desta vez, estamos como naquela fábula em que alguém disse tantas vezes que o lobo estava no meio do rebanho sabendo que não estava que, quando ele chegou realmente, ninguém ligou aos alertas e o lobo veio mesmo e pôde saciar-se como quis. E, desta vez, a Gripe A não é a doença da moda, não há alaridos, não há plano de contingência, não há compras exageradas de vacinas, desinfectantes e máscaras para lhe dar luta. Mas a Gripe A está aí, já com mais de dez casos confirmados, tão mortal como da outra vez em que se exagerou no mais, mais mortal porque agora se exagerará no menos, muito mais mortal porque agora a fome é uma realidade que alastrou, arrastada pelas tais "poupanças" que também alteraram o regime de faltas na Administração Pública para um "quem não trabuca, não manduca" que impôs 100% de corte da remuneração a quem, apesar de doente, não se pode dar ao luxo de faltar nos primeiros três dias de Gripe A ou de qualquer outro sucedâneo de contágio dos colegas. Vamos ver no que isto dá. O Governo é PSD-CDS, dois dos três partidos de quem se diz serem detentores de uma "responsabilidade" inata e  à prova de tudo. Temos sentido na pele que sobretudo à prova das vidas dos portugueses. O vírus da Gripe A terá oportunidades para confirmá-lo. Com taxas moderadoras mais que duplicadas desde a última vez que tentou ser feliz em Portugal.

Sem comentários: