domingo, 3 de fevereiro de 2013

Acidental praia lusitana


Aproveitando a onda, tal como o haviam feito João Semedo e Jerónimo de Sousa, também António José Seguro, logo ele, criticou a nomeação do ex-administrador da SLN/BPN Franquelim Alves para o Governo. Franquelim Alves omitiu a sua passagem pelo grupo SLN/BPN no currículo oficial divulgado pelo Governo e António José Seguro, aproveitando a onda, tal como o novo Secretário de Estado, omitiu as responsabilidades do seu partido na nacionalização do BPN. O Governo está de pés e mãos atadas para fazer ondas com o BPN e as sondagens dão António José Seguro na crista da onda para voltar ao poder sem ter que explicar bem explicadinha uma nacionalização toda ela um caso de polícia. Ondas e mais ondas. Gostava de perguntar ao Camões se por acaso ele não quereria dizer "acidental praia lusitana". Pode ter sido erro de impressão.



Na onda seguinte: Álvaro Santos Pereira assumiu que a escolha do antigo administrador no grupo SLN-BPN foi sua e sujeita a "um processo de escrutínio e de ponderação muito profunda”. Franquelim Alves foi escolhido para o cargo de secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, por ser “um profissional com mais de 43 anos de gestão” e uma pessoa “que esteve sempre acima de todas as suspeições”, disse o ministro da Economia aos jornalistas, em Coimbra.

Noutra ainda: na sua conversa fiada de todos os Domingos, Marcelo Rebelo de Sousa realçou as imensas qualidades do novo Secretário de Estado, diz que apesar delas o Primeiro-ministro não devia tê-lo escolhido para não desenterrar o fantasma do BPN  e que Cavaco Silva não poderia ter feito outra coisa senão dar-lhe posse porque a responsabilidade da escolha não é sua, mas do primeiro-ministro. “Quem paga o preço político é o primeiro-ministro” e o problema do “desgaste do Governo não é do Presidente da República”. Nada a ver, portanto, com o facto objectivo de Cavaco Silva também estar metido no BPN até às orelhas.

Na onda submarina: Hélder Amaral, vice-presidente do grupo parlamentar do CDS-PP, o tal partido que manifestou desaprovação pela escolha do ex-administrador do BPN para o Governo, afirmou à Lusa na Segunda-feira seguinte que o pedido de audição do ministro da Economia sobre a nomeação de Franquelim Alves feito pelo Bloco de Esquerda não vai ser aprovado.

5 comentários:

fb disse...

Aproveitando a onda, tal como o haviam feito João Semedo e Jerónimo de Sousa, também António José Seguro criticou a nomeação do ex-administrador da SLN/BPN Franquelim Alves para o Governo. Franquelim Alves omitiu a sua passagem pelo grupo SLN/BPN no currículo oficial divulgado pelo Governo e António José Seguro, aproveitando a onda, tal como o novo Secretário de Estado, omitiu as responsabilidades do seu partido na nacionalização do BPN. O Governo está de pés e mãos atadas para fazer ondas com o BPN e as sondagens dão António José Seguro na crista da onda para voltar ao poder sem ter que explicar bem explicadinha uma nacionalização toda ela um caso de polícia. Ondas e mais ondas. Gostava de perguntar ao Camões se por acaso ele não quereria dizer "acidental praia lusitana". Pode ter sido erro de impressão.

Mariposa Colorida disse...

Eu penso mesmo que o Camões queria dizer Acidental Praia Lusitana tais são os "acidentes" que vêm acontecendo nesta mixórdia entre PSP e PS.

Mariposa Colorida disse...

Entre PSD e PS, queria eu dizer! :)

José Gonçalves Cravinho disse...

De Luís de Camões
«Vão outros dar à bomba,não cessando
à bomba,que nos imos alagando».

Anónimo disse...



Nas remodelações governamentais descobrimos sempre qualquer coisa. Quando alguns secretários de Estado se vão embora acontece ouvirmos falar deles pela primeira vez. E dos seus cargos. Fiquei, na mini-remodelação de Passos, a saber que há um para o empreendedorismo.

Mas nas nomeações para os substituir também podem ser instrutivas. A nomeação de Franquelim Alves para a tal secretaria de Estado do empreendedorismo não chega a revelar nada que não se soubesse: que o governo mantém uma relação próxima com quase todos os que estiveram envolvidos na gestão da SLN, grupo responsável pelo maior escândalo financeiro deste país e que custa e continuará a custar aos portugueses muitos dos cortes que se estão a fazer. Nada melhor do que um administrador da SLN para ficar com a pasta do empreendedorismo. Quem pode negar que estes senhores foram empreendedores e imaginativos.

Como se sabe, Dias Loureiro continua a ser um dos principais conselheiros de Passos Coelho e Miguel Relvas. E quem esperava que um dos principais patronos deste senhor, o atual Presidente da República, que o colocou e tentou manter no Conselho de Estado, fosse alguma vez impedir esta nomeação só pode ter andado muito distraído em relação às redes de relações políticas da SLN.

O que a escolha revela não é o que todos já sabíamos. O que ela revela é que Passos Coelho, passado tão pouco tempo deste escândalo de proporções inacreditáveis, já passou à fase da reabilitação dos envolvidos.

Franquelim Alves sabia, o próprio o disse na comissão de inquérito ao BPN, do que se passava no grupo onde era administrador. Sabia e guardou para si. Aceitar que este senhor - segundo o ministro da Economia, com um excelente currículo e idoneidade à prova de bala - ocupe um cargo público, ainda por cima no governo, depois de ter sido, pelo menos por omissão, cúmplice do escândalo que está a custar aos contribuintes rios de dinheiro, ultrapassa todos os limites do aceitável. Esta nomeação não é apenas um insulto aos portugueses. É a demonstração de que este governo já nem se preocupa em dar a aparência de alguma decência.

Daniel Oliveira no Expresso