sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Primavera do abuso

Em 2009, a Peugeot-Citroen de Mangualde despediu 300 trabalhadores. Em 2013, hoje, a Peugeot-Citroen de Mangualde anunciou que vai contratar 300 trabalhadores. Despediram 300 com salários mais altos para, passado um tempo,  contratarem 300 com salários mínimos. Aqui está mais um exemplo das vantagens que esta crise está a oferecer a um certo tipo de empresários que prefere aumentar lucros abdicando da inovação tecnológica e apostando na exploração do trabalho. O país nada ganha com esta mudança de estratégia. Pelo contrário, perde os impostos cobrados sobre salários que, ao minguarem, ficam isentos, perde consumo, impostos sobre o consumo e o efeito multiplicador desse consumo sobre o crescimento económico e perde modernização e aquela competitividade que interessaria ao bem comum que fosse fomentada, mas os poderes públicos fecham os olhos ao abuso: transferir e concentrar riqueza em vez de criá-la, a riqueza que uma minoria tem a liberdade de construir semeando miséria pela restante maioria, esta é a política oficial deste regime que é dever de todos nós fazer cair. Não serve.

Vagamente relacionado: A Liga Portuguesa Contra o Cancro diz que há 15 hospitais que estão a negar certos medicamentos a doentes oncológicos por motivos financeiros. O presidente da delegação Norte, Vítor Veloso, diz que a situação é de tal forma grave que afecta não só as terapias mais caras mas também os medicamentos recomendados e com eficácia comprovada.
Ainda mais vagamente: o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, ouviu nesta noite de sexta-feira um grupo de manifestantes cantar Grândola Vila Morena, pedir a demissão do Governo, gritar palavras de ordem como “Fora daqui: a fome, a miséria e o FMI” e “Emigra tu”, antes de entrar nas II Jornadas de Consolidação, Crescimento e Coesão, promovidas pelo PSD, no auditório dos Paços da Cultura de São João da Madeira, onde defendeu que o Governo não está a conseguir comunicar aos cidadãos a utilidade das suas medidas..
 

1 comentário:

Formiga disse...

É muito triste, mas é a realidade…
Ainda por cima estas empresas fartam-se de receber, directamente e indirectamente, do Estado; São subsídios, isenções de impostos e de taxas e muitos etc…
A alteração da Lei das insolvências e falências, dos despedimentos, das indemnizações…. vieram ajudar estes e outros mercenários da carne humana.
Fecham as empresas, indemnizam os trabalhadores por meia dúzia de patacas (quando pagam as indemnizações), a seguir abrem ao lado (quando não é no mesmo sitio) uma empresa com a mesma actividade, e com os mesmos clientes… contratam trabalhadores por tostões (às vezes contratam os mesmos trabalhadores que despediram anteriormente) e prosseguem a sua politica de terra queimada, mas com escravos mais baratos…
A alteração dos subsídios de desemprego veio ajudar a esta politica de terra queimada, pois estes mercenários têm muito mais trabalhadores disponíveis para trabalhar, a troco de um copo de àgua…