quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma notícia de pé de página


O Tribunal da EFTA não deu razão à Comissão Europeia, que queria que a Islândia assumisse parte do valor pago pelos fundos de garantia e depósitos do Reino Unido e da Holanda aquando da falência do Icesave, banco islandês que operava naqueles dois países. Os juízes deliberaram que a Islândia não violou as leis internacionais ao assegurar os depósitos dos clientes domésticos do Icesave ao mesmo tempo que não garantiu o valor aplicado pelos clientes do Reino Unido e da Holanda. Por motivos óbvios, a notícia do mês teve um tratamento marginal na imprensa do país da subserviência, cujo povo foi convocado a pagar décadas de delinquência banqueira no BPN e no BPP mas também no BANIF, BCP, BPI e CGD. Como vimos aqui, os islandeses souberam correr com o Governo que se preparava para os pôr a pagar uma dívida que não era sua.

No vídeo junto, para além de ter protegido os islandeses de um jogo que garantiria a sobrevivência artificial de bancos falidos à margem de leis de mercado que não permitem deslizes a empresas não financeiras, o Presidente islandês explica que outras medidas foram tomadas pelo seu Governo para fazer a Islândia regressar ao crescimento sem deixar o desemprego mergulhar a ilha na calamidade social que actualmente se regista na Grécia e em Portugal: mantendo o Estado social e rejeitando a austeridade selectiva que faz ricos à custa do empobrecimento geral. Tenho para mim que em Portugal este senhor seria imediatamente apresentado aos portugueses como o perigoso radical de esquerda, que objectivamente não é, para que o seu partido jamais obtivesse um resultado eleitoral acima dos 10%.



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