quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Se uma Grécia incomoda muito pouco, duas Grécias incomodam ainda menos


A proposta é do mesmo FMI que vem admitindo ter sido incapaz de prever os efeitos destrutivos de prescrições anteriores e é em tudo igual à receita que produziu a tragédia grega: redução do número de funcionários públicos entre 10 e 20%, redução de salários dos trabalhadores em funções públicas entre 3 e 7% e de 30% nos suplementos, redução nas pensões de reforma, em particular as dos ex-funcionários públicos, que propõem sejam cortadas em 20%, redução do número de professores em entre 30 e 50 mil a enviar para o desemprego, redução da protecção social, aumento da idade de reforma, aumento do horário semanal de trabalho, aumento das taxas moderadoras na Saúde e das propinas na Educação, etc, etc. O documento, a que o Governo chama "um contributo", diz que há classes profissionais (polícias, militares, professores, médicos e juízes) que têm “demasiadas regalias”, que os médicos têm salários excessivamente elevados (principalmente devido ao pagamento de horas extraordinárias) e que os magistrados beneficiam de um regime especial que aumenta as pensões dos juízes em linha com os salários. Não são todos os outros que têm a menos, são estes que têm a mais. O FMI,  a Comissão Europeia e o Governo português querem toda a gente a ganhar pelo mínimo dos mínimos. Mai sou menos como na Rússia comunista, mas sem Educação, Saúde e Cultura de qualidade para todos e sem a garantia da subsistência de ninguém. A subsistência que prescrevem é a das regalias dos banqueiros e da máfia que descobriu como enriquecer à sombra dos bancos que os nossos impostos andam a recapitalizar. Mas sobre estes enriquecimentos acima das nossas possibilidades podem ler e ver aqui.

(editado)

2 comentários:

Anónimo disse...

Contas por alto, só em desempregados que ainda consideram termos a menos, a receita do FMI hoje tornada pública representa mais 200 mil desempregados a juntar ao 1,3 milhões que já temos. Aqueles meninos do Governo dizem andar muito preocupados com o desemprego, mas hoje dizem-nos também que esta proposta é um contributo a levar em conta no projecto de destruição do Estado social que começaram há um ano e meio. Então, a taxa de desemprego era de 11,4%. Com este contributo valioso, ultrapassará largamente os 20%. Como na Grécia que eles dizem que Portugal não é. Que Portugal ainda não era.

Anónimo disse...

Sugiro que vejam este vídeo...

https://www.youtube.com/watch?v=j9lsc5P9Nkw