quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O mundo encantado de Vítor Gaspar


Sobrecarregar ainda mais a tributação dos rendimentos do trabalho para compensar uma descida do IRC para os 10%. Com a precariedade generalizada, os despedimentos praticamentegratuitos e o salário mínimo como remuneração apenas excepcionalmente excedida, tornar Portugal atractivo para investidores que simultaneamente queiram enriquecer e contribuir o mínimo possível para a sociedade que os enriquece é o novo desafio de Vítor Gaspar. A incógnita agora está em saber se os fracassos sucessivos que vem acumulando esticarão o suficiente para lhe dar tempo para perceber que um IRC quase de borla não compensa a inexistência de poder de compra no mercado interno que, apesar dos efeitos da recessão mundial  sobre a procura externa, durante um ano e meio se encarregou de destruir. Quem serão os malucos que arriscariam investir neste paraíso da tesura onde ninguém paga a ninguém, onde as reformas se sucedem a um ritmo que torna impossível perceber qual foi a reforma anterior, com crédito racionado, a energia mais cara de toda a Europa e, ainda por cima, com um Ministro das Finanças tão alheado da realidade que é incapaz de perceber que ninguém no seu perfeito juízo arrisca produzir o que quer que seja sem compradores para a sua produção? O mundo encantado de Vítor Gaspar situar-se-á algures entre a China e a Cochinchina.

Vagamente relacionado: O Bloco de Esquerda considera que o ex-dirigente do CDS Lobo Xavier não deveria presidir à Comissão da Revisão do IRC, que tomou posse nesta quinta feira, por um “conflito de interesses absolutamente óbvio. “É uma espécie de nomeação em que pomos as raposas a definir as regras de protecção do galinheiro, ou seja, são as grandes empresas, um representante, um administrador das grandes empresas, que vai presidir a um estudo da reforma do IRC. Não são, portanto, as pequenas e médias empresas que vão definir dados de tesouraria, não é um representante do sector da restauração a braços com uma carga fiscal do IVA que está a matar todo um sector. Não, são de facto os grandes grupos empresariais que vão dominar a agenda desta revisão do IRC”, afirmou a deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago.

1 comentário:

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Sobrecarregar ainda mais a tributação dos rendimentos do trabalho para compensar uma descida do IRC para os 10%. Com a precariedade generalizada, os despedimentos praticamente gratuitos e o salário mínimo como remuneração apenas excepcionalmente excedida, tornar Portugal atractivo para investidores que simultaneamente queiram enriquecer e contribuir o mínimo possível para a sociedade que os enriquece é o novo desafio de Vítor Gaspar. A incógnita agora está em saber se os fracassos sucessivos que vem acumulando esticarão o suficiente para lhe dar tempo para perceber que um IRC quase de borla não compensa a inexistência de poder de compra no mercado interno que, apesar dos efeitos da recessão mundial sobre a procura externa, durante um ano e meio se encarregou de destruir. Quem serão os malucos que arriscariam investir neste paraíso da tesura onde ninguém paga a ninguém, onde as reformas se sucedem a um ritmo que torna impossível perceber qual foi a reforma anterior, com crédito racionado e a energia mais cara de toda a Europa e ainda por cima com um Ministro das Finanças tão alheado da realidade que é incapaz de perceber que ninguém no seu perfeito juízo arrisca produzir o que quer que seja sem compradores para a sua produção?