terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ó mãe, como é que se diz neoliberalismo em japonês?


O ministro japonês das Finanças, em funções há cerca de um mês, defende que os cuidados de saúde para doentes mais idosos significam um custo desnecessário para o país e que a estes pacientes deveria ser permitido morrer rapidamente para aliviar a pesada carga financeira que representa o seu tratamento na economia japonesa. Adolph Hitler não diria melhor. Nem Vítor Gaspar e restante quadrilha. Nem a cambada de António José Seguro. Não, não, não, o Seguro não. Seguro não o pensaria pior. Jamais o diria, evidentemente: o homem é mais moderadinho. Nestas coisas, ser moderadinho  é o atributo que faz toda a diferença.

Vagamente relacionado: Numa carta aberta, a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) questionou nesta quarta-feira o Governo sobre se a “imposição da obrigação da esterilização” a uma mulher a quem foram retirados sete filhos foi uma “decisão infeliz” dos serviços ou se se insere nas “orientações políticas” actuais. “Mas que raio de tribunais é que nós temos? Os tribunais podem fazer uma coisa destas?”, indigna-se o presidente daquela associação. (…) A decisão judicial sustenta-se nas dificuldades económicas da família e no incumprimento, ao longo de anos, de algumas das medidas previstas no acordo de promoção e protecção de menores de que esta estava a ser alvo. Uma dessas medidas era que a mãe tivesse que provar que estava a ser acompanhada num hospital tendo em vista a laqueação de trompas. Mas esta nunca o fez. E, em 2010, o tribunal dava nota de que a progenitora persistia na rejeição à laqueação das trompas.

Ainda mais vagamente: Os efeitos neurotóxicos do uso de chumbo nos combustíveis ou o envenenamento por mercúrio; a infertilidade masculina provocada pelo uso de pesticidas; a manipulação da indústria tabaqueira sobre a investigação científica em torno nos efeitos diretos e indiretos do consumo de tabaco; os riscos de tumores cerebrais provocados pelas radiações dos telemóveis; ou os da energia nuclear com base nas últimas lições de Chernobyl e de Fukushima são algumas das histórias que dão corpo ao relatório "Lições Tardias de Avisos Prévios" - "Late Lessons from early warnings: Science, precaution, innovation" - hoje divulgado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA). Estas histórias servem para lembrar que, vezes sem conta, cometeram-se os mesmos erros (e ainda se cometem) com as empresas e os governos a colocarem os lucros de curto prazo à frente da segurança e saúde das pessoas e dos ecossistemas. E lembram que as consequências podiam ter sido minoradas se as advertências científicas tivessem sido atendidas a tempo.

2 comentários:

Gi disse...

Estes tipos acham que nunca nada lhes vai acontecer. Mas quando derem com o mundo em pantanas, quando ninguém tiver dinheiro para lhes comprar as porcarias que vendem nem saúde para produzir as porcarias que compram, também hão-de um dia ser velhos e doentes. Ou não?

Alexandre de Castro disse...

Em Portugal, essas coisas não se dizem, a não ser em privado. Fazem-se. E o plano de extermínio de dois milhões de idosos, por morte lenta, já está em marcha. Basta reduzi-los à miséria, cortando-lhes nas reformas, e dificultar-lhes o acesso aos cuidados de saúde, cada vez mais caros.
Alexandre de Castro