sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Gosto muito de os ouvir falar

A política e a politiquice. A comunicação social atrelada ao poder político e aos interesses económicos servidos por ambos habituou os portugueses à segunda e desabituou-os da primeira. A primeira serve para solucionar problemas. A segunda dissimula-os para não os solucionar. A primeira serve para melhorar a vida das pessoas. A segunda serve para manter no poder quem se está nas tintas para a vida das pessoas. A primeira é clara e diz ao que vem. A segunda é um mistério barroco apenas ao alcance de especialistas.
Ontem, um destes mundividentes, Marques Mendes, por mera coincidência um dos todos ex-presidentes do PSD que dispõem actualmente de um tempo de antena semanal para mostrarem ao país e ao seu partido que não chegaram para Primeiro-ministro mas sobram para servir a causa na qualidade de comentadores, criticou o relatório do FMI. Não pelo desmantelamento do Estado social que preconiza, não pelo impacto que teria sobre a vida dos portugueses, não sobre a implosão económica e social que provocaria. Marques Mendes diz que o relatório do FMI é útil, que pela primeira vez é feito em Portugal um estudo exaustivo embora incompleto sobre o Estado – seja lá o que for essa coisa de exaustivo mas incompleto – e reafirma que o que o FMI propõe tem que ser feito.
Repetida a mensagem que é dever de qualquer homem da situação papaguear até ser cantada de ouvido pela plateia, Marques Mendes passou então ao ataque e não poupou críticas à forma como o relatório do FMI foi divulgado (“de supetão sem preparar a opinião pública. Tudo se resume, portanto, a um problema de comunicação. E para comunicar está lá ele, emérito comentador bafejado por aquele sentido de responsabilidade que é imprescindível para perceber toda a utilidade do relatório do FMI. Gosto muito de os ouvir falar.
Vagamente relacionado: “O Governo está legitimado para governar. É uma questão que não tem discussão”, disse o ainda primeiro-ministro, argumentando que o país foi chamado às urnas há ano e meio e que o Executivo está mandatado durante quatro anos.
Um pouco mais vagamente: Em declarações à Antena1, António Capucho afirma que a intervenção de Carlos Moedas foi “indecorosa”, tal como foi o facto de o governo ter encomendado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um relatório em que são apontados caminhos para cortar 4 mil milhões de euros de despesa pública. O histórico do PSD lembra que Carreiras era “um indefectível deste governo”.
Mais vagamente ainda: para além de pedir a demissão de Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, também presidente do Instituto Sá Carneiro a convite de Passos Coelho, questiona-se, noutra entrada na sua página sobre os cortes propostos: "É legítimo pensarmos que se o FMI afirma que as medidas agora propostas são as 'mudanças inteligentes' todas as outras que sugeriram até agora foram as 'estúpidas'? Não há dinheiro, mas também não há paciência".

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