quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Era só o que faltava

Numa nota publicada ontem à noite, o FMI diz que quer a destruição do Estado social e ao mesmo tempo quer um consenso social que apoie essa destruição. Um misto de aclamação do salve-se quem puder que liberta os mais ricos dos impostos que pagam a protecção dos mais pobres e de um voluntariado imbecil para a reedição do “pobrezinhos mas honrados” do tempo da outra senhora. Baixar os juros agiotas do empréstimo que lhes permite luxos como os jantares de meio milhão de dólares, o roubo cujo pagamento lhes dá argumentos para se juntarem ao Governo e à Comissão Europeia na exigência do desmantelamento do Estado social, isso é que nem pensar. Concordemos, é muito melhor ideia terem os portugueses a pagar juros em vez de Saúde, Educação e protecção social e ainda verem-nos felizes a agradecer o precioso contributo do FMI para uma troca tão decisiva para a melhoria da qualidade de vida de todos. Depois de tudo o que já destruiu, o FMI quer que o seu machado corte também a raiz ao pensamento. Os pequenos deuses caseiros adoram brincar aos temporais.

2 comentários:

Andre Mano disse...

Infelizmente não vejo que temporais possam vir aí... vejo toda a gente tão apática, tão conformada e pior... tão indiferente! Talvez seja só eu que estou num dia mais pessimista que o habitual, mas o que eu vejo é que o plano avança a olhos vistos e sem grandes ondas pelo caminho quanto mais tempestades...

Filipe Tourais disse...

Essa expressão, tal como a do machado que querem que corte a raíz ao pensamento, é de uma - desta - canção do Manuel Freire. De qualquer maneira, as tempestades chegam quando menos se espera e sem serem convidadas. A nossa também há-de chegar.