sábado, 5 de janeiro de 2013

Enriquecer acima das nossas possibilidades ou a História do centrão


Por que é que o Governo PSD-CDS tem uma generosidade que nos custa milhares de milhões com os bancos? Por que é que o PS não tem aquela reacção que se esperaria de um partido dito "de esquerda"? As duas questões conduzem-nos a uma terceira. Como é que durante anos a fio se enriqueceu num país cujo povo aceitou facilmente a ideia de ter vivido acima das suas possibilidades e se sujeita a sacrifícios para pagar o que nunca usufruiu? Pedro Bingre, nos vídeos juntos, dá algumas pistas.
Enriquecer acima das nossas possibilidades não foi assim tão complicado. O modelo é simples: alguns grupos de amigos constituíam a empresa A, que adquiria terrenos agrícolas ao preço da chuva. Entretanto, entrava em cena o autarca que transformava esses terrenos agrícolas em áreas urbanizáveis, acrescentando uma série de zeros à direita do seu valor. O grupo de amigos da empresa A fazia então entrar em cena a empresa B, também sua propriedade, cujo papel neste manual do enriquecimento fácil era comprar à empresa A, ou seja, os amigos compravam a si próprios,  esses terrenos  agora urbanizáveis e valorizados artificialmente. E como fazer isto sem ter dinheiro?

Não há nada que não se torne simples quando se tem o poder nas mãos. Entram então em cena outros amigos, estrategicamente  colocados por ainda outros amigos no sector financeiro, e estes, naturalmente, convenciam-se facilmente a emprestar à empresa B o montante suficiente para assegurar o negócio, aceitando como garantia real os terrenos que, até porque a bolha imobiliária já tinha estourado, sabiam perfeitamente nada valerem. Desfecho lógico: passado um tempo, A empresa B assumia junto do banco não ser capaz de pagar o empréstimo, o banco executava a hipoteca e incorporava nos seus activos um terreno sem qualquer valor, enquanto os amigos punham a salvo os milhões conseguidos pela sua empresa A. São estes milhões que estamos a pagar pelo BPN, pelo BPP, pelo Banif e por todos os demais "ai aguentam, aguentam".

A emoldurar todo este carnaval, para assegurarem um final feliz a esta parcela da história dos enriquecimentos na era do centrão, falta referir as leis e o sistema de Justiça que os sucessivos Governos PSD e PS, com ou sem o CDS, se encarregaram de organizar de forma evitar sobressaltos no futuro. Esse futuro que entretanto chegou, com bifes carregadinhos de culpa que não devem comer-se todos os dias, com uma comunicação social nas mãos de quem também participou no grande banquete e sem a perda do poder que agora usam para nos porem a pagar os buracos causados pelas suas fortunas nos balanços dos bancos, para cúmulo ainda aproveitando a situação que geraram para proporcionar novos enriquecimentos privatizando serviços públicos e vendendo empresas públicas ao desbarato aos mesmos ou a outros amigos.

A continuidade deste carnaval pode ser interrompida no futuro que ainda não chegou, é verdade, mas para isso é preciso que os portugueses ganhem juízo e tratem de fazê-lo chegar bem depressa, antes que não reste nada que faça valer a pena lembrar como deixámos que tudo acontecesse sem resistência que se visse.

1 comentário:

Por que é que o Governo PSD-CDS tem uma generosidade que nos custa milhares de milhões com os bancos? Por que é que o PS não tem aquela reacção que se esperaria de um partido dito "de esquerda"? As duas questões conduzem-nos a uma terceira. Como é que durante anos a fio se enriqueceu num país cujo povo aceitou facilmente a ideia de ter vivido acima das suas possibilidades e se sujeita a sacrifícios para pagar o que nunca usufruiu? Pedro Bingre, nos vídeos juntos, dá algumas pistas. disse...

Por que é que o Governo PSD-CDS tem uma generosidade que nos custa milhares de milhões com os bancos? Por que é que o PS não tem aquela reacção que se esperaria de um partido dito "de esquerda"? As duas questões conduzem-nos a uma terceira. Como é que durante anos a fio se enriqueceu num país cujo povo aceitou facilmente a ideia de ter vivido acima das suas possibilidades e se sujeita a sacrifícios para pagar o que nunca usufruiu? Pedro Bingre, nos vídeos juntos, dá algumas pistas.