sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Da série "guias práticos para enfrentar a crise"


Numa daquelas reportagens radiofónicas ilustrativas das dificuldades dos portugueses, esta manhã dou comigo a ouvir uma jovem estudante universitária a reproduzir a versão oficial e a apontar como causa da insustentabilidade da segurança social  o envelhecimento populacional que põe poucos jovens a pagar as reformas de muitos velhos. Nada a ver com a generalização de casos como o do seu irmão, que dorme no quarto ao lado e que na mesma reportagem se queixou do salário de miséria que recebe e encolhe todos os anos, e com ele a base de incidência dos descontos  que desequilibram as contas da Segurança Social. E nada a ver com um desemprego jovem para lá dos 35%, que afectará os amigos da jovem numa proporção aproximada e que poderia deixá-la inclinar-se para uma conclusão bem diferente da oficial: sem envelhecimento populacional, a taxa de desemprego jovem atingiria níveis para lá dos 70 ou 80%. Isto é o mesmo que dizer que sem envelhecimento populacional 70 ou 80 em cada 100 jovens estaria completamente impedido de contribuir para a sustentabilidade da segurança social e os restantes, empregados, impedidos parcialmente, na proporção da miséria dos seus salários. Vá lá que a inconsciência da jovem não é assim tão grande ao ponto de deixá-la sem saber o que fazer ao respeito da insustentabilidade da Segurança Social: assim que comece a trabalhar, seja lá quando isso for, a jovem está firmemente determinada a adquirir um daqueles seguros de saúde com coberturas que a deixarão à margem de qualquer sobressalto. Estas reportagens e estes jovens esclarecidos servem para mostrar que o mundo pode ser bastante menos complicado do que possa parecer À partida. O mundo será sempre simples se o fizermos simples. E eles, pelo menos estes mais simples, ajudam a simplificá-lo. Ao mínimo.

1 comentário:

Mariposa Colorida disse...

A cabecinha não dá para mais!