Numa daquelas reportagens
radiofónicas ilustrativas das dificuldades dos portugueses, esta manhã dou comigo
a ouvir uma jovem estudante universitária a reproduzir a versão oficial e a
apontar como causa da insustentabilidade da segurança social o envelhecimento populacional que põe poucos
jovens a pagar as reformas de muitos velhos. Nada a ver com a generalização de
casos como o do seu irmão, que dorme no quarto ao lado e que na mesma
reportagem se queixou do salário de miséria que recebe e encolhe todos os anos,
e com ele a base de incidência dos descontos
que desequilibram as contas da Segurança Social. E nada a ver com um
desemprego jovem para lá dos 35%, que afectará os amigos da jovem numa
proporção aproximada e que poderia deixá-la inclinar-se para uma conclusão bem
diferente da oficial: sem envelhecimento populacional, a taxa de desemprego
jovem atingiria níveis para lá dos 70 ou 80%. Isto é o mesmo que dizer que sem
envelhecimento populacional 70 ou 80 em cada 100 jovens estaria completamente
impedido de contribuir para a sustentabilidade da segurança social e os
restantes, empregados, impedidos parcialmente, na proporção da miséria dos seus
salários. Vá lá que a inconsciência da jovem não é assim tão grande ao ponto de
deixá-la sem saber o que fazer ao respeito da insustentabilidade da Segurança
Social: assim que comece a trabalhar, seja lá quando isso for, a jovem está firmemente
determinada a adquirir um daqueles seguros de saúde com coberturas que a deixarão
à margem de qualquer sobressalto. Estas reportagens e estes jovens esclarecidos
servem para mostrar que o mundo pode ser bastante menos complicado do que possa
parecer À partida. O mundo será sempre simples se o fizermos simples. E eles, pelo
menos estes mais simples, ajudam a simplificá-lo. Ao mínimo.

1 comentário:
A cabecinha não dá para mais!
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