quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Borges, o "economista"

O alegado economista e consultor para as privatizações do Governo, António Borges, afirmou nesta quinta-feira que Portugal já tem “a economia equilibrada” e que não precisa de mais medidas de austeridade. Porém, António Borges aponta para a necessidade de se reduzir o défice do Estado através de um corte na despesa, ou seja, através de mais austeridade, ou seja, não necessitamos de mais austeridade mas necessitamos de mais austeridade porque a economia já se encontra equilibrada, ou seja, equilibrada no léxico borgiano tem também o significado de desmantelada. Dir-me-ão que as evidentes “dificuldades de comunicação” deste alto responsável da República são fortes indícios de uma licenciatura tirada por equivalências. Garanto-lhes que apenas isso. Toda a gente sabe que o das equivalências é o outro. Este é o Borges, o economista. Não esquecer que o senhor também é consultor. O capitalismo científico está cheio destes génios.

Da mesma campanha mediática: o chefe da diplomacia alemã disse que acha que os recentes progressos alcançados por Portugal, como o regresso aos mercados nas maturidades mais longas, são "sinais encorajadores" que já permitem "ver a luz no fundo do túnel". O capitalismo científico é feito de propaganda e de lugares comuns.

Ainda da mesma saga: Miguel Relvas, um amigo íntimo da família dos Santos, diz que o Governo reservou 42 milhões de euros para a "reestruturação" da RTP. Em 2012, o Governo vendeu o BPN limpinho de passivo ao grupo de Isabel dos Santos por um pouco menos: 40 milhões. Ora, 42-40=2 milhões. Isabel dos Santos deu 40 milhões ao Governo para receber a RTP limpinha de vozes inconvenientes. O BPN foi à borla. O resto são 2 milhões que nem chegam para pagar um ano de subsídios de desemprego dos 620 efectivos a despedir, quanto mais para pagar as comissões à rapaziada que trata destes negócios e nos livra do fardo insuportável do serviço de rádio e televisão. Muito depois do final da história, havemos de contar aos netos sobre aquele tempo em que lhes bastava querer para levarem tudo o que era nosso a troco de rigorosamente nada. Em democracia. O mais difícil será explicar-lhes que teve que ser assim e não poderia ter sido diferente. O capitalismo científico era feito de inevitabilidades. E não me esqueci do produto da venda da RTP: há-de servir para "limpar" as Águas de Portugal, a TAP ou outra qualquer das privatizações que se seguem.

1 comentário:

Anónimo disse...

Não é o Borges; é o Bórgia, o economista....