domingo, 20 de janeiro de 2013

BANIF: silêncio, deixem-nos trabalhar


O Governo PSD-CDS insiste na necessidade de amputar 4 mil milhões de euros ao Estado social ao mesmo tempo que estoira 2,15 mil milhões no Banif. Depois de dois Governos a desmantelá-lo e depois de assinar um memorando que garantia a conclusão da obra que deixou inacabada, o PS reage e trata de aparecer em toda a comunicação social como inesperado guardião do Estado social. Mas repare-se que sem falar no BANIF, tal como o havia feito com o BPN, do qual também evita falar. Há razões óbvias para o pacto de silêncio entre ambos, como podemos perceber no vídeo junto. A lista de personalidades que se fizeram nos dois partidos preferidos dos portugueses que passaram e continuam a passar pelo BANIF é imensa. A ressaca de trinta anos de negócios conjuntos permanecem ao largo da grande informação. BPN, BPP, BANIF, BCP, BPI, CGD. Ai aguentam, aguentam.

14 comentários:

Mariposa Colorida disse...

Mues caros, estando todos no mesmo barco, de que adianta apontar o dedo? Por cada dedo que se aponta tem-se logo dois ou três apontadoa para nós!

Filipe Tourais disse...

Não, caro amigo, não estão todos no mesmo barco. Os políticos não são todos iguais: a abstenção que resulta desta música aprendida de ouvido é uma das causas dos BPNs e dos BANIFs. Outra é todo o tempo que andamos a cantarolar essa do "de que adianta apontar o dedo". Temos que apontar os dedos, sim, e os culpados têm que pagar pelo que fizeram.

antonio miguel disse...

Vejam esse vídeo!. Uma pouca vergonha. a dança dos amigos de Cavaco, do PSD e do PS também. Todos estes factos e mais muitos mais, são conhecidos. O PS não pode meter a cabeça na areia e fazer de contas que não teve e não tem nada com isto. Há que assumir os factos e ser capaz de "enfrentar o touro pelos cornos". Agora muita gente do PS tem que se assumir, sabendo que muitos sabem muito e muitos desses não servem para continuar no PS, por que não prestam e estão metidos na porcaria completamente. O PS tem que apresentar um plano estratégico aos portugueses e dizer o que quer fazer e como se propõe fazê-lo. Quanto mais se mexe na merda mais mal cheira. Há muitos que fariam bem a Portugal se se retirassem de cena. Infelizmente pensam que são insubstituíveis, sendo corruptos, incompetentes, autistas, malabaristas e pantomineiros.

Anónimo disse...

Os partidos de esquerda só não têm culpa no cartório porque não tiveram oportunidade de passar pelo governo. O poder corrompe. Além disso esta esquerda bacoca que insiste em defender a manutenção dos direitos "conquistados" para todos, ou até alargamento dos mesmos, não vai a lado nenhum. Não lhes importa que Portugal tenha uma população cada vez mais idosa e inactiva, que cada vez seja preciso furar mais fundo para chegar ao petróleo, o que torna a energia mais cara e consequentemente toda a produção mais cara. Não lhes importa que já não tenhamos acesso ao crédito e que por isso já não haja o investimento de outros tempos para dinamizar a economia, etc. Nada disso lhes interessa, apenas lhes interessa exigir mais e mais direitos e beneficios, à luz de uma constituição completamente desactualizada, escrita num tempo em que o petróleo era barato, a população jovem e praticamente tudo se produzia no país, à custa do proteccionismo e de uma moeda própria. Não são mais sérios que os da direita. Escolher entre esta direita vigarista e esta esquerda populista e demagoga... que venha o diabo.

Anónimo disse...

Os políticos são todos mais ou menos iguais: uns fazem, outos vêm fazer e põem-se a assobiar.

Anónimo disse...

Como vêem a linha está contraída desde o princípio e só serve para a banca...

"Nesta fase, não é aconselhável desviar verbas porque isso pode acarretar sérios riscos para a estabilidade do sistema financeiro" foi a resposta escrita enviada pelo comissário Olli Renh no fim da semana passada – e hoje noticiada pela agência Bloomberg – na sequência de uma pergunta de um eurodeputado António José Seguro sobre a possibilidade de o Governo português usar para outros fins parte do envelope financeiro de 12 mil milhões de euros destinado à recapitalização da banca no âmbito do programa de assistência da troika, de 78 mil milhões de euros.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/ajuda_externa/detalhe/envelope_da_troika_para_a_banca_nao_pode_ser_destinado_as_empresas_.html

Resposta escrita enviada pelo comissário Olli Renh no fim da semana passada: http://www.europarl.europa.eu/sides/getAllAnswers.do?reference=E-2012-009815&language=EN

Filipe Tourais disse...

O amigo não pode dizer o que diz. Até agora, esses partidos sempre estiveram ao lado do povo e de uma forma coerente e séria
. Quanto aos direitos que exigem, trata-se de justiça. Se existe para a banca e para as rendas dos monopólios, não há razão para que vivamos pior para que eles vivam melhor. O seu conformismo é doentio.

Anónimo disse...

Não se trata de conformismo, trata-se de encarar os factos com seriedade. É verdade que o país está entregue à corrupção, é verdade que esta direita é podre, fraudulenta e vigarista, é verdade que a banca, os monopólios e os rendeiros têm prioridade sobre os cidadãos. É verdade que antes de se tirar aos cidadãos e ao estado social se deveria atacar estes interesses instalados. Mas isso só por si não chega, o nosso país e o ocidente em geral enfrentam uma violenta crise energética, uma população envelhecida e uma força de trabalho reduzida, cada vez menos recursos naturais disponíveis, etc. Além disso o país teve uma fase de prosperidade ilusória, conseguida à custa de crédito que agora já não há. Os direitos de ontem já não são possíveis hoje, pelo menos de forma tão abrangente como antes. Enquanto a direita rouba, a esquerda aponta o dedo à ladroagem mas não aceita ceder um milímetro, encarar que vivemos num mundo que cada vez tem menos recursos para mais gente. Ninguém quer encarar a realidade. O governo rouba, a oposição limita-se ao discurso populista de que estamos assim por exclusiva responsabilidade dos que roubam, e que em tempo de vacas magras todos temos direito àquilo a que nos habituámos no tempo das vacas gordas. Assim não há nada opções credíveis. Não há seriedade, e nem há espaço para ela porque a seriedade não ganha eleições. Ninguém quer andar de cavalo para burro, ainda que já não haja ração para sustentar o cavalo. É andar de cavalo até ele cair para o lado de fome e depois andar a pé.

Anónimo disse...

Esta esquerda levanta-se para defender os direitos humanos e dos trabalhadores, critica o modelo laboral da China, mas esquece-se que nós só tivemos a prosperidade que tivemos à custa da escravatura na China e em outras partes do mundo, em conjunto com o acesso a crédito fácil que os juros baixos do euro nos proporcionaram. A indústria portuguesa caiu porque toda a gente se virou para os produtos "made in China" muito mais baratos, à custa da escravatura que tanto criticam. Houve espaço para fazer crescer o estado social porque muita gente foi desviada da produção industrial e agrícola para os serviços. O estado social da Europa prosperou à custa da escravatura pelo mundo fora, mas ninguém quer encarar isso. Preferem acreditar no mundo maravilhoso de Peter Pan.

Filipe Tourais disse...

Ou seja, há menos recursos no mundo e por isso os banqueiros e as grandes fortunas têm que ter mais e o resto ter menos? Não tem lógica absolutamente nenhuma, deixe-me dizer-lhe. Nem isso, nem o resto que diz, que é falso. A China entrou em cena para contribuir para a concentração de riqueza à custa da generalização da pobreza, não foi para mais nada. O crédito fácil é fruto de políticas que enriqueceram o sector financeiro e a especulação em geral e somos nós, os instrumentos desse enriquecimento, os que estamos a pagá-lo pela segunda vez, não eles. O amigo limita-se a repetir a versão oficial. Não sei o que ganha com isso. Será banqueiro ou simplesmente mais um resignado?

Anónimo disse...

Ganhamos exactamente o mesmo os dois com a nossa argumentação. Isto é uma conversa de surdos. Obviamente não leu com atenção o que escrevi para dizer que estou a repetir a versão oficial, uma vez que eu me opus aos interesses instalados e à ladroagem da direita. Talvez o meu amigo seja o banqueiro no fim de contas.

Filipe Tourais disse...

Como queira. Completo, então: o amigo limita-se a repetir a versão oficial e junta-lhe a versão parola dos partidos que são todos iguais e da roubalheira que não tem consequências eleitorais. Está melhor assim?

Anónimo disse...

Eu completaria apenas que o amigo é claramente banqueiro uma vez que tudo faz para descredibilizar a esquerda com o seu discurso.

Anónimo disse...

Gosto muito deste "realismo" que fala numa população envelhecida com uma taxa de desemprego jovem acima dos 40%. Mais jovens houvesse e mais desempregados haveria. Depois a lengalenga dos recursos energéticos. O que é que tem a ver com tudo o resto? Nada. Os recursos naturais escasseiam e as desigualdades aumentam e não as desigualdades aumentam porque os recursos energéticos escasseiam. O Medina Carreira diz umas coisas e os papagaios aprendem-nas para repeti-las.