terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A terceira fase


Os ministros das Finanças da zona euro aceitaram – atenção, tudo porque nos portámos bem – estudar a possibilidade de prolongar os prazos fixados para o reembolso dos empréstimos do fundo europeu de estabilidade financeira (EFSF) a Portugal, na linha do que acordaram em Novembro para a Grécia. Recapitulemos as fases anteriores desta novela que transformou a dívida portuguesa na mais rentável para a especulação financeira: da inicial "nem mais tempo, nem mais dinheiro", passando pela fase "Portugal não é a Grécia e por isso não pode querer o mesmo que a Grécia", para chegarmos ao momento presente, em que Portugal já pode renegociar o memorando, ser a Grécia e pedir mais tempo e, não há-de tardar, também mais dinheiro. Por que é que não pediram antes? Obviamente pelo enorme número de portugueses satisfeitos com a verosimilhança da fábula e com a honra de contribuírem com os seus salários, os seus direitos, os seus serviços públicos  e os seus sacrifícios para a riqueza dos nossos salvadores agiotas e para a sobrevivência política da sua equipa de agentes de negócios em Portugal liderada por Coelho e Gaspar, que assim tiveram mais facilidade para imporem a sua agenda política. Vamos acabar a rasgar o memorando e, por que não,  a renunciar à parte ilegítima da dívida, tal como vaticinaram desde o início os terríveis radicais de esquerda, mas até lá ainda há que testar a tolerância do povo que não deve comer bifes todos os dias à ideia da sobrevivência sem Estado social. Esta brincadeira poderia ter sido evitada desde o início? Poderia, mas não teria sido a mesma coisa. Dia 2 de Março sairemos à rua para manifestarmos as nossas ideias ao respeito. Não podemos permitir que a garotada continue a brincar aos Governos.
Vagamente relacionado: A Organização Internacional do Trabalho (OIT) registou um aumento de mais quatro milhões de desempregados em 2012 e afirma que o panorama de degradação do mercado de trabalho vai agravar-se ainda mais em 2013 e 2014. O pior, afirma a OIT, ainda estará para vir. Apesar de o Banco Mundial apontar para a retoma económica mundial no fim de 2013 e inícios de 2014, o mercado de trabalho deve degradar-se ainda mais durante esses dois anos. Para 2013, a OIT espera mais 5,1 milhões de desempregados. Para 2014, mais três milhões.
(editado)

1 comentário:

Mariposa Colorida disse...

Somos mesmo o país do burro! Ai que nervos!