sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A lição dos consensos


Pela segunda vez, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes recusaram participar numa encenação com vista à obtenção de um consenso que dê suporte político ao desmantelamento do Estado social. Na primeira, recusaram promover à categoria de consensual o memorando com o qual já era certo PS, PSD e CDS enterrariam o presente e o futuro do país. Nesta segunda, juntou-se à esquerda de palavra o PS, agora vestido de guardião do Estado social que arruinou durante duas legislaturas consecutivas, e os quatro partidos votaram contra a constituição de uma comissão liquidatária com a forma de comissão parlamentar aprovada por PSD e CDS para debaterem sozinhos os detalhes da “reforma do Estado social” que, é público, genericamente já decidiram.

Este segundo episódio de uma mesma recusa remete-nos para o primeiro. Então, recorde-se, os três partidos que assinaram o memorando e comunicação social atrelada exploraram-no ao máximo para colar o rótulo de “irresponsáveis” aos partidos que não quiseram constar como meros figurantes num negócio já fechado, que consideravam – e o futuro veio dar-lhes razão – ruinoso para o país. Aquilo era um “consenso” e ninguém, nem mesmo porque discordava, nem mesmo para manter a palavra dada aos eleitores, nem mesmo para defendê-los do que viria depois,  podia cometer a “irresponsabilidade” de não participar no “consenso” deles. Os portugueses foram atrás desta produção mediática. Bloco de Esquerda, PCP e PEV sentiram-no nos resultados eleitorais. E os portugueses pagaram pela falta que fazem os deputados que não couberam no consenso que os tramou depois.

Porém, desta vez, muito pela catástrofe que resultou do primeiro, mas sobretudo porque um partido com um arco de comentadores ao seu serviço tão imenso como o  PS se juntou aos “irresponsáveis”, a irresponsabilidade original esfumou-se como por magia. Os deputados da maioria bem tentam usá-la como argumento na acusação que dirigem ao PS de “terem a irresponsabilidade de não quererem contribuir para um consenso alargado necessário”, ao mesmo tempo que acusam Seguro de eleitoralismo. Sem querer, transpiram aquela insegurança própria de quem pressente a proximidade de eleições no pior momento. O FMI também está cheio de pressa para saber qual será o plano Bo Eurogrupo está plenamente convencido de que ele já existe - que Passos Coelho ou António José Seguro implementará (ou implementarão)depois do mais que certo chumbo do Tribunal Constitucional ao OE 2013. Tudo o indica, mais cedo do que tarde, os portugueses poderão escolher novo aldrabão. Se a lição dos consensos não tiver servido de nada.

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