quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

À ira dos mansos

O que pode dizer-se de alguém que é apanhado a conduzir com 2,41 de álcool no sangue no dia do seu 37º aniversário? Que foi azar ou que foi muito azar, presumo eu. A menos que esse alguém seja uma deputada, no caso, do PS. Aí, aquela malta que avalia os políticos pela moralidade que transpiram, pelo carro em que se fazem transportar, pelo ar mais ou menos compungido que apresentam quando roubam salários e direitos e vendem os seus roubos como sacrifícios pela Pátria, essa malta que os compra fica doida e tenta-se a pedir pena de morte, se possível for. Mas aí o crime em questão não será o de conduzir com álcool no sangue, é o da pessoa em causa ter cometido o crime de ser deputada eleita naquela coisa chamada eleições que a maioria desta malta embriagada pelas suas próprias certezas recusa utilizar para melhorar as suas vidas, semeando "azares" nas de todos. Amanhã é outro dia, seguramente que esta embriaguez crónica terá outros temas para se recrear em novas demonstrações dos seus nobres sentimentos. Brindemos a isso. À ira dos mansos. Quanto à deputada em causa, cometeu um crime público. Que pense em pedir a demissão e seja julgada como outro qualquer cidadão.

7 comentários:

Gi disse...

O que pode dizer-se de alguém que é apanhado a conduzir com 2,41 de álcool no sangue no dia do seu 37º aniversário? Que foi azar ou que foi muito azar, presumo eu.

Filipe, aqui discordo. Hoje em dia alguém que pretenda beber, seja no dia do seu aniversário ou noutro, e ficar com este nível de alcoolémia, tem o cuidado de pedir a algum amigo que conduza o carro. E uma deputada que participou em acções sobre segurança na estrada devia ter esse cuidado, não por poder ser apanhada, mas pela sua segurança e pela dos outros.

Filipe Tourais disse...

Talvez não tenha sido feliz nas palavras que empreguei. Deveria ter escrito "o que costuma dizer-se". De qualquer forma, o que quis expressar é que um deputado, por ser deputado, não cometeu nenhum crime, como parecem pensar muitos comentaristas do artigo linkado.
Quanto ao demais, concordo consigo, até porque a deputada em causa andou envolvida em legislação sobre prevenção rodoviária.

Jorge Campos disse...

O crime dela não é ser deputada do PS. Sê-lo (deputada) só deveria significar que teria a responsabilidade de ser um exemplo.

Não compreendo como se tenta menorizar tal acto, uma vez que o que essa senhora cometeu é crime.

Era preciso ter atropelado alguém ou provocado um acidente grave para acharem que o seu acto é reprovável?

Para mim, e pelo cargo que ocupa, devia demitir-se no imediato.

O problema é que, provavelmente, demitindo-se fica sem saber o que fazer. Tem 37 anos, já é deputada há uns quantos, e de experiência de vida tem zero. Só se lhe arranjassem outro tacho...

Filipe Tourais disse...

Não façamos juízos de valor sobre as capacidades que tem ou que não tem a senhora, até porque existem muitos casos no lote de três partidos a que ela pertence que conseguem facilmente bons empregos nas empresas que os respectivos partidos favorecem cronicamente.
O caso resume-se a uma cidadã que deve ser julgada como tal. Ser uma deputada que, ironia do destino, teve o azar de não cometer aquele horrível pecado de ir para o próprio aniversário numa viatura do Estado guiada pelo respectivo motorista é aqui detalhe irrelevante. Se deve demitir-se? Sem dúvida. Se não o fizer, está sujeita a que em qualquer momento lhe perguntem se está ou não sóbria.

Anónimo disse...

A mim só me choca que uma senhora tão bonita e elegante cuide tão mal do cabelo

Anónimo disse...

O q uma pessoa prudente e responsável faz num caso destes, é apanhar um taxi ... pois, esqueci-me q a sra estava com um "grãozinho" na asa, o q certamente afectou o discernimento ... felizmente n atropelou ninguém, aí é q o caso ía requerer mais trabalho de bastidores para limpar ... tudo está bem qdo acaba bem.

Anónimo disse...

"Ser uma deputada que, ironia do destino, teve o azar de não cometer aquele horrível pecado de ir para o próprio aniversário numa viatura do Estado guiada pelo respectivo motorista é aqui detalhe irrelevante."

Não desculpemos os erros de uns com os erros dos outros, porque estão ambos mal.
O importante aqui foi que a senhora cometeu uma imprudência grave, que poderia ter tido sérias consequências e além disso desrespeitou a lei.

Deixemos agora a justiça cumprir o seu papel e julgar a cidadã.