quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Produções Cavaco apresenta

Quando não têm nada de concreto para dizer, em vez de apresentarem resultados ou cumprirem com o que é o seu dever, para mostrarem que estão a fazer qualquer coisita, os políticos medíocres entretêm-se e entretêm-nos a dizer que estão preocupados, que garantem, que confiam ou que acreditam. Desta vez, lá calhou ser esta última: “Eu acredito fortemente nas potencialidades das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e sei que são muitos aqueles que querem ser agentes activos do reforço da reputação, do prestígio e da credibilidade de Portugal”, disse Cavaco Silva perante o conselho da diáspora portuguesa, assim uma espécie de selecção de notáveis portugueses emigrados com o talento de um António Borges, com o brilhantismo de um Álvaro Santos Pereira ou as ligações mafiosas de um Carlos Moedas, todos escolhidos a dedo no universo de virtude Goldman Sachs, FMI, SONANGOL e afins.
E como é que esta gente, ou melhor, de que é que Cavaco quer convencer-nos que esta gente é capaz de fazer pela tal “credibilidade de Portugal lá fora”? Se dizem que isto aqui está uma maravilha, que não há fome nem desemprego, que o Presidente garante o regular funcionamento das instituições democráticas, que o executivo governa em função dos interesses das populações, que as pessoas têm uma enorme esperança no futuro, que a Constituição e as leis se cumprem, que não há corrupção, que não deixámos de ter serviços públicos para pagar a agiotas, das duas, uma: ou fazem figura de parvos e passam por mentirosos, a situação de Portugal é conhecida no mundo inteiro, ou trazem para cá ainda mais artistas a juntar aos que já por aí andam em total liberdade a gozar o que nos roubaram no BPN, no filão das PPP e nas rendas garantidas dos monopólios que os anteriores Governos lhes fizeram ir parar às mãos, que é para nem falar nas fortunas que se vão fazendo à sombra dos negócios das privatizações a preços de saldo e do desmantelamento de serviços públicos que a santa austeridade, consequência desses enriquecimentos garantidos no passado, tratou de tornar possíveis. Cavaco é parte bastante activa deste passado e actor neste presente da era da “imagem de Portugal lá fora”. A História, e espero que não apenas a História, há-de saber julgá-lo.

Vagamente relacionado: A Vinci é uma empresa francesa que opera no sector da construção e das concessões, tendo interesses em diversas áreas, das redes rodoviárias (é accionista da Lusoponte (37%), concessionária das pontes Vasco da Gama e 25 de Abril) a estádios de futebol. Actualmente, gere 12 aeroportos (nove em França e três no Cambodja), que movimentam no conjunto 8,5 milhões de passageiros por ano. É a empresa escolhida, de entre um lote de quatro candidatos, para comprar a ANA.

Ainda mais vagamente: O caso Lusoponte foi pioneiro em 20 anos de PPP em Portugal. O primeiro e o segundo contratos foram assinados pelo ministro Ferreira do Amaral sendo Primeiro Ministro Cavaco Silva. Ao contrato seguiram-se acordos de Reequilíbrio Financeiro (em número de nove até hoje). Todas estas renegociações foram gravosas para o Estado (artigo completo aqui).

2 comentários:

FB Share disse...

Quando não têm nada de concreto para dizer, em vez de apresentarem resultados ou cumprirem com o que é o seu dever, para mostrarem que estão a fazer qualquer coisita, os políticos medíocres entretêm-se e entretêm-nos a dizer que estão preocupados, que garantem, que confiam ou que acreditam. Desta vez, lá calhou ser esta última: “Eu acredito fortemente nas potencialidades das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e sei que são muitos aqueles que querem ser agentes activos do reforço da reputação, do prestígio e da credibilidade de Portugal”, disse Cavaco Silva perante o conselho da diáspora portuguesa, assim uma espécie de selecção de notáveis portugueses emigrados com o talento de um António Borges, com o brilhantismo de um Álvaro Santos Pereira ou as ligações mafiosas de um Carlos Moedas, todos escolhidos a dedo no universo de virtude Goldman Sachs, FMI, SONANGOL e afins.

José Gonçalves Cravinho disse...

Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho (88anos,digo simplesmente que
os velhacos,os pulhas,os cínicos,
os trafulhas,os hipócritas da Alta,da Média,da Pequena Burguesia com destaque para os Vigários de Cristo mas também gente da Plebe,
que sabiam como tirar o melhor partido da Ditadura clerical-fascista do Estado Novo,agora em
liberdade e «democracia» e com mo liberalismo económico-financeiro em que cada qual se safa como pode, ÊLES,seus apaniguados e os «filhos
da mesma escola»,muito melhor sabem como tirar o melhor partido desta SITUAÇÃO.Só os bem intencionados ou os palermas como eu,é que foram,são e serão sempre as eternas vítimas.
E não esquecer que ÊLES estão a vingar-se do 25 d'Abril.