quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Paraísos da ladroagem


O Tribunal de Contas recomendou ao Ministério da Segurança Social que os investimentos em ‘offshores' e que as aplicações na reserva estratégica doFundo de EstabilizaçãoFinanceira da Segurança Social (FEFSS) sejam mais transparentes. No parecer sobre a Conta Geral doEstado, a entidade liderada por Guilherme de Oliveira Martins defende que o Governo deve definir e publicitar "orientações sobre a detenção directa ou indirecta, por parte de entidades públicas, de produtos financeiros emitidos por sociedades em offshores". O Tribunal de Contas vai fazendo o que pode. Não tem poderes para proibir estas negociatas, tais poderes pertencem ao Governo, ou seja, precisamente a quem as faz. E por que diabo este e o anterior Governo utilizam a opacidade dos paraísos fiscais, impenetrável aos poderes públicos, para aí perderem os milhares de milhões que já perderam do dinheiro das reformas futuras dos portugueses? Quem se abotoou com os ganhos correspondentes ao reverso dessas perdas? É impossível sabê-lo. Os paraísos fiscais existem precisamente para proporcionar um ambiente paradisíaco a toda a espécie de negócios escuros. Sejá lá como for, estas e outras questões conexas continuam a não alterar significativamente os hábitos eleitorais dos portugueses, para fortuna de quem goza de total liberdade para enriquecer à sombra da legalidade que os últimos Governos têm produzido para os seus próprios negócios. "Os partidos são todos iguais" e de nada serve votar, defende a grande maioria. A ladroagem também pode estar completamente tranquila quanto ao julgamento político dos seus actos. Goza da inércia desta massa amorfa que recusa fazê-la. As máquinas eleitorais respectivas dos partidos deste arco sinistro garantem que o poder não lhes foge. Não são apenas os off-shore. Portugal é em si mesmo um paraíso da ladroagem.

1 comentário:

facebook share disse...

O Tribunal de Contas recomendou ao Ministério da Segurança Social que os investimentos em ‘offshores' e que as aplicações na reserva estratégica doFundo de EstabilizaçãoFinanceira da Segurança Social (FEFSS) sejam mais transparentes. No parecer sobre a Conta Geral doEstado, a entidade liderada por Guilherme de Oliveira Martins defende que o Governo deve definir e publicitar "orientações sobre a detenção directa ou indirecta, por parte de entidades públicas, de produtos financeiros emitidos por sociedades em offshores". O Tribunal de Contas vai fazendo o que pode. Não tem poderes para proibir estas negociatas, tais poderes pertencem ao Governo, ou seja, precisamente a quem as faz. E por que diabo este e o anterior Governo utilizam a opacidade dos paraísos fiscais, impenetrável aos poderes públicos, para aí perderem os milhares de milhões que já perderam do dinheiro das reformas futuras dos portugueses? Quem se abotoou com os ganhos correspondentes ao reverso dessas perdas? É impossível sabê-lo. Os paraísos fiscais existem precisamente para proporcionar um ambiente paradisíaco a toda a espécie de negócios escuros. Sejá lá como for, estas e outras questões conexas continuam a não alterar significativamente os hábitos eleitorais dos portugueses, para fortuna de quem goza de total liberdade para enriquecer à sombra da legalidade que os últimos Governos têm produzido para os seus próprios negócios. "Os partidos são todos iguais" e de nada serve votar, defende a grande maioria. A ladroagem também pode estar completamente tranquila quanto ao julgamento político dos seus actos. Goza da inércia desta massa amorfa que recusa fazê-la. As máquinas eleitorais respectivas garantem que o poder não foge. Não são apenas os off-shore. Portugal também é um paraíso da ladroagem.