sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A morte lenta em final de ano fala assim

Há precisamente um ano, Passos Coelho admitia que 2012 seria difícil mas jurava que o ano de 2013 seria o ano do regresso ao crescimento. Passado um ano, como o novo ano está mesmo aí à porta e de crescimento nem o mais remoto sinal, as dificuldades transitaram de 2012 para 2013 e a retoma foi oficialmente adiada de 2013 para 2014. E, tal como há um ano, há dois, há três, há cinco, há sete, estamos mesmo quase, quase, quase a conseguir. E daqui a um ano, com mais desemprego, com uma dívida maior, com um PIB ainda mais reduzido, com ainda mais vidas e empresas destruídas, com mais fome e mais miséria, com mais impostos e mais reduções de salários e direitos, talvez já com os serviços públicos em mãos privadas e com despedimentos na Administração pública, cá estaremos para assistir novamente a mais discursos que oficializam a transição dos sacrifícios para o ano imediatamente a seguir e adiam o crescimento para o ano a seguir ao seguinte. A morte lenta em final de ano fala sempre assim.
Vagamente relacionado: Em Outubro de 2012 foi esta a Grécia que se lhe apresentou: mulheres grávidas em fim de tempo a acorrerem aos hospitais suplicando para serem admitidas, mas por que não têm nem seguro de saúde, nem dinheiro suficiente, ninguém as quer ajudar a trazer ao mundo os seus filhos. Pessoas que, ainda há pouco, faziam parte da classe média, a catarem os restos da fruta e dos legumes no lixo, nos arredores de Atenas. Um homem idoso explica que já não consegue pagar os medicamentos para os seus problemas cardíacos. A sua reforma foi reduzida a metade. Trabalhou durante mais de 40 anos, pensava ter feito tudo o que era necessário e, hoje, deixou de conseguir compreender o mundo. As pessoas internadas nos hospitais são obrigadas a levar os seus próprios lençóis e a sua própria comida. Desde que as equipas de manutenção foram dispensadas, são os médicos, os enfermeiros e os auxiliares de saúde, que desde há meses não recebem ordenado, que tratam da limpeza. Não há luvas descartáveis nem cateteres no hospital. A União Europeia avisou o país sobre o perigo de propagação de doenças infecciosas.




1 comentário:

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Há precisamente um ano, Passos Coelho admitia que 2012 seria difícil mas jurava que o ano de 2013 seria o ano do regresso ao crescimento. Passado um ano, como o novo ano está mesmo aí à porta e de crescimento nem o mais remoto sinal, as dificuldades transitaram de 2012 para 2013 e a retoma foi oficialmente adiada de 2013 para 2014. E, tal como há um ano, estamos mesmo quase, quase, quase a conseguir. E daqui a um ano, com mais desemprego, com uma dívida maior, com um PIB ainda mais reduzido, com ainda mais vidas e empresas destruídas, com mais fome e mais miséria, com mais impostos e mais reduções de salários e direitos, talvez já com os serviços públicos em mãos privadas e com despedimentos na Administração pública, cá estaremos para assistir novamente a mais discursos que oficializam a transição dos sacrifícios para o ano imediatamente a seguir e adiam o crescimento para o ano a seguir ao seguinte. A menos que o Governo caia e aquele que lhe suceda devolva à procedência o memorando devidamente rasgado e ponha fim a esta morte lenta cada vez mais acelerada.