quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O manual de destruição (continuação da continuação)

Depois do desmantelamento das carreiras, depois das promoções permitidas apenas de 10 em 10 anos, 4 vezes na vida, e com incrementos salariais ridiculamente ínfimos, depois dos congelamentos que, logo a seguir, fizeram desaparecer essas promoções, depois das reduções salariais entre 5 e 10 por cento para salários superiores a 1500 euros, depois do roubo de subsídios de férias e de Natal, todos eles a somar aos assaltos que também vitimaram os trabalhadores do privado, faltava aumentar o número de horas semanais de trabalho aos trabalhadores em funções públicas. A proposta está em cima da mesa da concertação social , diz o Governo que é necessário aproximar o horário semanal de trabalho dos servidores do Estado à média da União Europeia. No mesmo pacote de propostas, a aproximação dos níveis salariais à média europeia foi substituída pela aproximação à média salarial do sector privado, que tem diminuído nos últimos anos pela mão da liberalização dos despedimentos, da redução da protecção social no desemprego que a todos obriga à aceitação de salários mais baixos e do desemprego gerado por políticas suicidárias de cortes na despesa pública e de aumentos não menos criminosos na carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho. A economia continua a implodir, o desemprego a alastrar, a qualidade de vida das pessoas piora cada vez que eles se lembram de consultar o manual de destruição e saltar para o ponto seguinte. Vão segui-lo à risca, até que não sobre nada. Ou até que corramos com eles.

  • Vagamente relacionado: para quem não saiba, na crise de 1929, uma das medidas adoptadas a partir de 1933 nos Estados Unidos para combater o desemprego galopante e a quebra no consumo foi a redução do horário de trabalho. Esta redução, ao fazer com que mais pessoas tivessem trabalho, permitiu uma melhor distribuição do rendimento. Esta medida foi acompanhada de outras como a criação de sistemas de previdência social e de um salário mínimo que fez desaparecer muitos salários de miséria, elevando-os a um mínimo de decência, conveniente não apenas do ponto de vista ético e social, também do ponto de vista económico: fez disparar o consumo, as empresas começaram a conseguir vender. Mas este era outro manual que não o manual de destruição seguido pela loucura furiosa que nos está a aniquilar.

2 comentários:

facebook share disse...

Depois do desmantelamento das carreiras, depois das promoções permitidas apenas de 10 em 10 anos, 4 vezes na vida, e com incrementos salariais ridiculamente ínfimos, depois dos congelamentos que, logo a seguir, fizeram desaparecer essas promoções, depois das reduções salariais entre 5 e 10 por cento para salários superiores a 1500 euros, depois do roubo de subsídios de férias e de Natal, todos eles a somar aos assaltos que também vitimaram os trabalhadores do privado, faltava aumentar o número de horas semanais de trabalho aos trabalhadores em funções públicas. A proposta está em cima da mesa da concertação social , diz o Governo que é necessário aproximar o horário semanal de trabalho dos servidores do Estado à média da União Europeia. No mesmo pacote de propostas, a aproximação dos níveis salariais à média europeia foi substituída pela aproximação à média salarial do sector privado, que tem diminuído nos últimos anos pela mão da liberalização dos despedimentos, da redução da protecção social no desemprego que a todos obriga à aceitação de salários mais baixos e do desemprego gerado por políticas suicidárias de cortes na despesa pública e de aumentos não menos criminosos na carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho. A economia continua a implodir, o desemprego a alastrar, a qualidade de vida das pessoas piora cada vez que eles se lembram de consultar o manual de destruição e saltar para o ponto seguinte. Vão segui-lo à risca, até que não sobre nada. Ou até que corramos com eles.

Gi disse...

Desde que Durão Barroso foi eleito com um programa que prometia uma baixa de impostos para estimular a economia, e os aumentou assim que tomou posse, todos os desgovernos têm feito o que podem para destruir este país.