quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Parece, pois parece

Tal como é dada, parece uma excelente notícia. Os juros da dívida portuguesa a 10 anos desceram a barreira dos 7% no mercado secundário pela primeira vez desde Fevereiro de 2011. A verdade é que nem com juros da ordem dos 3,5% Portugal tem capacidade para pagar a dívida contraída junto da troika em sede de memorando, como o comprova a profundíssima recessão que não se vislumbra deixe de varrer Portugal de Norte a Sul com cada vez mais intensidade nos anos mais próximos. A comunicação social que presta o serviço de dar estas boas notícias, para além da omissão da constatação anterior,  também nunca refere que Portugal teria todas as condições de pagar a sua dívida e de se relançar economicamente caso aqueles senhores que nos exigem 3,5% e uma agenda política de desmantelamentos e sacrifícios  usassem connosco da mesma generosidade que os impele a emprestar a 0,75% ao sector financeiro a liquidez que depois a sua genética especulativa nos empresta no mercado aos tais 7% que fazem tão boas notícias. Isto significaria rasgar o memorando, parar com as sucessivas retiradas de direitos sociais e laborais e devolver ao Estado social o dinheiro que os juros da dívida desviaram, produzindo a insustentabilidade mais conveniente ao seu desmantelamento. Tudo isto faz parte das notícias realmente boas que o regime tenta evitar a todo o custo, escudando-se atrás das falsas inevitabilidades que esta comunicação social tem por missão alimentar nas percepções que comanda. E comanda mesmo.
 
(editado)


1 comentário:

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Tal como é dada, parece uma excelente notícia. Os juros da dívida portuguesa a 10 anos desceram a barreira dos 7% no mercado secundário pela primeira vez desde Fevereiro de 2011. A verdade é que nem com juros da ordem dos 3,5% Portugal tem capacidade para pagar a dívida contraída junto da troika em sede de memorando, como o comprova a profundíssima recessão que não se vislumbra deixe de varrer Portugal de Norte a Sul com cada vez mais intensidade nos anos mais próximos. A comunicação social que presta o serviço de dar estas boas notícias, para além da omissão da constatação anterior, também nunca refere que Portugal teria todas as condições de pagar a sua dívida e de se relançar economicamente caso aqueles senhores que nos exigem 3,5% e uma agenda política de desmantelamentos e sacrifícios usassem connosco da mesma generosidade que os impele a emprestar a 0,5% a liquidezque depois a especulação nos empresta no mercado aos tais 7% que fazem tão boas notícias. Isto significaria rasgar o memorando, parar com as sucessivas retiradas de direitos sociais e laborais e devolver ao Estado social o dinheiro que os juros da dívida desviaram, produzindo a insustentabilidade mais conveniente ao seu desmantelamento. Tudo isto faz parte das notícias realmente boas que o regime tenta evitar a todo o custo, escudando-se atrás das falsas inevitabilidades que esta comunicação social tem por missão alimentar nas percepções que comanda. E comanda mesmo.