domingo, 23 de dezembro de 2012

Expliquem lá como foi possível


Ainda me custa a crer, e a informação aguarda confirmação, mas tudo indica que o Artur Baptista da Silva que a comunicação social apresentou como economista da ONU será um impostor. Um impostor diferente daqueles que estão a destruir-nos o presente e a comprometer-nos para sempre o futuro, este apenas se armou aos cucos, mas, ainda assim, um impostor.

Em causa fica a veracidade das questões de pormenor por si reveladas, como o empréstimo concertado com o Brasil e a comparação que disse que a ONU faz - e se não faz, devia fazer -  entre a situação de Portugal e a dos países do Norte de África, mas apenas isso. O resto é o crime organizado e o roubo monumental cuja existência já todos conhecemos, evidências a que estas agora alegadas invenções se limitaram a conferir verosimilhança.

Mas o mais difícil de explicar, mesmo, é como é que a mesma comunicação social onde as vozes dissonantes têm tanta dificuldadeem penetrar se deixou levar por um desconhecido que vários órgãos entrevistaram sem lhe averiguarem o passado. Soa a número de circo. Para provar o quê? Talvez para nos levarem mais um pouquinho da pouca esperança que nos resta, talvez para nos minarem a pouca confiança que ainda nos vão inspirando. Honestamente, não sei. Mas quero saber.

Vagamente relacionado: O economista António Borges defendeu na noite de quinta-feira que o «subprime» (crédito à habitação de alto risco) é «uma das melhores inovações dos últimos anos», demarcando-se assim da convicção generalizada de que este produto financeiro está na origem da presente crise mundial. (Maio de 2008)

6 comentários:

Facebook share disse...

Ainda me custa a crer, e a informação aguarda confirmação, mas tudo indica que o Artur Baptista da Silva que a comunicação social apresentou como economista da ONU será um impostor. Um impostor diferente daqueles que estão a destruir-nos o presente e a comprometer-nos para sempre o futuro, este apenas se armou aos cucos, mas, ainda assim, um impostor.

Anónimo disse...

Levamos muito a sério os comentadores mais mediáticos. Parece que acreditamos que Mira Amaral é um grande gestor, Medina Carreira um brilhante contabilista e João Duque um mago das finanças.
Não percebo porque nos chateamos tanto com um fala barato que, por sinal, até disse uma ou outra coisa séria.
Parece-me bem mais irritante o facto de ter havido uma brutal reportagem da SIC sobre o BPN e a Aníbal Cavaco Silva, Mira Amaral, Sócrates ou Teixeira dos Santos poderem passar a consoada em silêncio com os seus milhões.

Anónimo disse...

Artur Baptista da Silva pode ser quem não é. Isso não muda uma linha do que disse e não vejo desmentido em lado nenhum. É uma ironia suprema que para alguém ter tempo de antena dizendo a verdade sobre a crise tem de se fazer passar por detentor de um cargo na ONU que não existe.

Anónimo disse...

Penso que a explicação é simples e está na pequenez deste povo e deste país. Da mesma maneira que os nossos políticos se deslumbram e se envaidecem por aparecerem na fotografia ao lado de Merkel ou de Schauble. Da mesma maneira que os nossos media fazem notícia do mais curto comentário que surja nos media internacionais sobre este pardieiro, da mesma maneira que nas entrevistas de rua preferem entrevistar um estrangeiro de passagem do que um português. Da mesma maneira que António Borges, que não passa de um borra-botas que facilmente é humilhado e ridicularizado por um jornalista da BBC, aqui é quase um semi-deus, intocável e cheio de arrogância, apenas porque andou lá fora emigrado e chegou à aldeia da serra no mês de Agosto, com roupa cara e carro de matricula estrangeira. Tal como quase todo o governo se apresenta para ouvir Bill Gates num acto de subserviência. Basta aparecer alguém alegadamente vindo de fora, com um título pomposo, a opinar sobre este pardieiro, e logo todos se envaidecem, lhe estendem o tapete vermelho e ouvem atentamente. Somos tão pequenos que basta que dêem por nós para explodirmos de vaidade. Este é um povo pequeno e tacanho.

Filipe Tourais disse...

Vejo muita gente a pedir desculpa por ter sido colhida na onda Artur Baptista da Silva. Mas nunca vi ninguém a pedir desculpa por ter sido colhido na onda José Sócrates, Pedro Passos Coelho ou Paulo Portas, para me cingir apenas a três dos maiores burlões da nossa História. Também nunca vi ninguém a pedir desculpa por não ter cumprido com o seu dever de cidadão no dia das eleições, contribuindo assim para deixar que os que não pedem desculpa do grupo anterior tivessem todo o à vontade do mundo para pôr o poder nas mãos dos burlões que citei. Os que repetem mentiras como o "viver acima das nossas possibilidades", "o Estado social tornou-se insustentável", "não existe alternativa" e outras idiotices que ajudam a eleger burlões também nunca pedem desculpa e muito menos as pedem os órgãos de comunicação social que escancararam as portas ao burlão do dia e as fecham a sete chaves aos muitos bons comentadores capazes de desmascarar as patranhas que debita esta comunicação social ao serviço de burlões.
Estamos em maré de desculpas, peço antecipadamente desculpa pelo desabafo: será que está tudo doido? As mentiras, e também disse verdades, do burlão de todas as desculpas jamais irão ao bolso de ninguém roubar o pão para o dar aos agiotas da troika ou para tapar o buraco feito pelos ladrões do BPN, que continuam à solta a gozar o que roubaram. Gostava que pensassem nisto. E escusam de pedir desculpa por terem pedido desculpa.

Anónimo disse...

Não sará a noticia, de que o Sr. Artur Baptista da Silva é um burlão, uma noticia falsa? É que se analisarmos bem, tudo o que ele afirmou é verdadeiro, e apontou o dedo acusador aos que andam a "mamar" à conta do orçamento!