sábado, 29 de dezembro de 2012

A fábula dos três bodes

O secretário de Estado da Saúde considera que os portugueses têm a obrigação de contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços, referindo-se depois aos problemas ligados ao tabaco, ao álcool e à diabetes tipo 2, que é prevenível, como representando anualmente e em conjunto um encargo para o Estado de cerca de 800 milhões de euros. Individualmente, segundo aquele senhor, o tabaco representa um custo de 500 milhões, o álcool de 200 milhões e a diabetes tipo 2 de 100 milhões, só em medicamentos.
E para onde vão os impostos sobre o tabaco e bebidas alcoólicas? Juntam-se a todos os outros impostos, que os portugueses antes pagavam para custear o SNS e outros serviços públicos, e vão direitinhos para uma troika que todos andamos a sustentar. A prevenção citada por este sábio, que antes era feita nos Centros de Saúde, também deixou de fazer-se porque foi moderada por taxas, hiper-inflacionadas para apaziguar a ganância do mesmo destinatário, que tornaram essa prevenção um luxo em pelo menos 1.316.351 casos, reflectindo a refundação das funções de um secretário de Estado do sector da Saúde. Antes, nas suas incumbências contavam-se a melhoria constante dos cuidados prestados, reduzir os tempos de espera e fazer com que servissem cada vez mais pessoas. Hoje, pelo contrário, a sua missão é a de reduzir ao mínimo essa universalização do SNS, afastando o maior número de utentes possível através da deterioração da qualidade, do aumento do preço a pagar pelos utentes e de discursos moralistas que culpabilizam o doente pela sua doença e pelos custos da sua doença. É o caso desta fábula dos três bodes pecadores: o bode respiratório, o bode borracholas e o bode guloso. Contada por um cabrão.


2 comentários:

facebook share disse...

O secretário de Estado da Saúde considera que os portugueses têm a obrigação de contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços, referindo-se depois aos problemas ligados ao tabaco, ao álcool e à diabetes tipo 2, que é prevenível, como representando anualmente e em conjunto um encargo para o Estado de cerca de 800 milhões de euros. Individualmente, segundo aquele senhor, o tabaco representa um custo de 500 milhões, o álcool de 200 milhões e a diabetes tipo 2 de 100 milhões, só em medicamentos.

Anónimo disse...

Depois deste apelo vou deixar de beber um copinho e fumar uma cigarrilha, a bem das contas públicas. Nunca o fiz a pensar na minha saúde mas agora valores mais altos se levantam. O amor às PPPs faz-nos descobrir forças e um espírito de sacrifício em nós que não imaginávamos ter. Foi um apelo que me sensibilizou profundamente. Assim são os grandes líderes, os grandes estadistas. Bem haja, senhor secretário. E já agora, faço-lhe um apelo para deixe de apanhar no cu, não vá apanhar alguma doença contagiosa e dar despesa ao SNS.