quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A aparência do rigor


Como a lição de 2008 não serviu para aprender que toda a banca deve ser nacionalizada, uma vez que a falência de um banco tem efeitos de arrastamento devastadores sobre toda a economia, e como a esmagadora maioria dos cidadãos europeus continua insensível ao problema, o directório europeu conseguiu espaço político para criar um supervisor que fiscalizará 200 bancos e deixará fora da sua alçada outros 6000. Diz a sageza desta gente que apenas representam risco sistémico aqueles bancos cujos activos ultrapassem os 30 mil milhões de euros ou 20 por cento do PIB do país respectivo, ou seja, estão agora a dizer-nos que o BPN que todos estamos a pagar não representava risco sistémico algum. O novo supervisor será assim uma espécie de semáforo que ficará incumbido da missão de dar luz verde aos Governos europeus para convocarem os cidadãos para o “tem que ser” do terem que pagar os prejuízos, acumulados por delinquência ou mera incompetência, de um sector financeiro que tem que ficar em mãos privadas porque sim. Como todas as outras, a ciência do roubo tem que saber adaptar-se aos desafios de um mundo em constante mudança e cada vez mais global.

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Como a lição de 2008 não serviu para aprender que toda a banca deve ser nacionalizada, uma vez que a falência de um banco tem efeitos de arrastamento devastadores sobre toda a economia, e como a esmagadora maioria dos cidadãos europeus continua insensível ao problema, o directório europeu conseguiu espaço político para criar um supervisor que fiscalizará 200 bancos e deixará fora da sua alçada outros 6000. Diz a sageza desta gente que apenas representam risco sistémico aqueles bancos cujos activos ultrapassem os 30 mil milhões de euros ou 20 por cento do PIB do país respectivo, ou seja, estão agora a dizer-nos que o BPN que todos estamos a pagar não representava risco sistémico algum. O novo supervisor será assim uma espécie de semáforo que ficará incumbido da missão de dar luz verde aos Governos europeus para convocarem os cidadãos para o “tem que ser” do terem que pagar os prejuízos, acumulados por delinquência ou mera incompetência, de um sector financeiro que tem que ficar em mãos privadas porque sim. Como todas as outras, a ciência do roubo tem que saber adaptar-se aos desafios de um mundo em constante mudança e cada vez mais global.