sábado, 17 de novembro de 2012

Viva o "respeitinho"


Bater em inocentes primeiro e investigar depois. Se a consciência não pesa, trabalhar a imagem é muito importante para estancar a indignação. A PSP fez saber que está a apertar a vigilância aos grupos de radicais que terão provocado a violência registada no protesto de quarta-feira em frente à Assembleia da República. Tudo é melhor do que admitir que no grupo daqueles selvagens que arremessaram paralelepípedos à polícia havia colegas infiltrados. Reza a versão oficial que foram membros de claques de futebol, traficantes de droga, gente que semeia violência por puro prazer. Às tantas, estes hooligans drogaram-se tanto que, ao chegarem ao Parlamento, ao verem tanta gente, convenceram-se que estavam na Luz ou em Alvalade em pleno derby lisboeta. Ou então é a polícia que pensa que pode  anestesiar a opinião pública com histórias da carochinha, ainda por cima tão mal contadas.
Os "hooligans" estavam ali, separados do resto, era ali e naquele momento que a polícia teria que ter dado serventia ao treino que recebe  para fazer face a incidentes deste tipo. É para isso, para serem protegidos e não para serem agredidos, para que os seus direitos sejam respeitados e não esmagados, que aqueles cidadãos que ali se manifestavam  ordeiramente descontam os impostos que pagam os treinos, os salários e as fardas ultrajadas pelos hooligans que delas se serviram para agir como autênticas bestas, em total impunidade.
As imagens que todos vimos nas televisões e nas redes sociais são claríssimas. Houve violência, mesmo muita violência. Os relatos das detenções que ocorreram depois também coincidem todos. Entre outras proezas, a polícia coagiu os detidos a assinarem documentos em branco e negou-lhes o direito a serem defendidos pelos respectivos advogados. Perante isto, nem o menor sinal de arrependimento. "A polícia agiu adequadamente". Três dias depois, em vez das desculpas públicas e do anúncio dos inquéritos com vista à expulsão de bandidos que, como tal, não podem pertencer à polícia, brindam-nos com histórias destas. As chefias quiseram aproveitar a oportunidade para mostrarem de que lado estão e a quem servem. Viva o "respeitinho". Não estava morto, estava só a dormir.

1 comentário:

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Bater em inocentes primeiro e investigar depois. Se a consciência não pesa, trabalhar a imagem é muito importante para estancar a indignação. A PSP fez saber que está a apertar a vigilância aos grupos de radicais que terão provocado a violência registada no protesto de quarta-feira em frente à Assembleia da República (AR). Tudo é melhor do que admitir que no grupo daqueles selvagens que arremessaram paralelepípedos à polícia eram colegas infiltrados. Reza a versão oficial que se trata de membros de claques de futebol, traficantes de droga, gente que semeia violência por puro prazer. Às tantas, estes hooligans drogaram-se tanto que, ao chegarem ao Parlamento, ao verem tanta gente, convenceram-se que estavam na Luz ou em Alvalade em pleno derby lisboeta. Ou então é a polícia que pensa que pode anestesiar a opinião pública com histórias da carochinha, ainda por cima tão mal contadas.

Os "hooligans" estavam ali, separados do resto, era ali e naquele momento que a polícia teria que ter dado serventia ao treino que recebe para fazer face a incidentes deste tipo. É para isso, para serem protegidos e não para serem agredidos, para que os seus direitos sejam respeitados e não esmagados, que aqueles cidadãos que ali se manifestavam ordeiramente descontam os impostos que pagam os treinos, os salários e as fardas ultrajadas pelos hooligans que delas se serviram para agir como autênticas bestas, em total impunidade.