quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Uma viagem no tempo


Na ressaca de mais de três décadas de corrupção, da exclusiva responsabilidade dos três partidos que se revezaram no poder, e da delinquência banqueira que esse mesmo trio permitiu, vivemos o momento em que as forças mais reaccionárias deste historial negro estão a conseguir premiar a obra feita e o resultado da austeridade que puseram a agravá-la rentabilizando as condições que criaram para imporem uma agenda política tão velha como a cobiça dos interesses económicos que representam pela posse de serviços públicos, um negócio extremamente rentável e sem riscos.

Uma boa medida dos impactos sociais desta agenda é o resultado do agravamento brutal das taxas moderadoras que o Governo introduziu em Janeiro passado. Desde então, até Julho, as urgências hospitalares em todo o país registaram menos 380 mil utentes, menos 1800 por dia. Sublinhe-se que não apenas em casos menos urgentes, o pressuposto da implementação da medida, ocorreu em todos: segundo o presidente da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência, os casos menos urgentes apenas registaram uma quebra entre 5 e 10 por cento entre 2011 e 2012, ou seja, uma subida das taxas moderadoras de 9,60 euros para um  valor situado entre 20 e 50 euros excluiu do sistema todos os portugueses que dele necessitaram e cuja situação económica não lhes permitiu pagar as taxas.

As subidas das taxas moderadoras não vão ficar-se por aqui. Será cada vez maior o número de utentes excluídos do sistema. A pouco e pouco, remetem-nos para o tempo em que só tinha acesso à Saúde quem podia  pagá-la, dos hospitais para ricos e dos hospitais para pobres, da poupança para a eventualidade de haver que suportar tratamentos com custos diários equivalentes a um múltiplo de um salário mensal de pobreza. É isto a refundação do Estado social. Uma viagem no tempo.  

1 comentário:

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As subidas das taxas moderadoras não vão ficar-se por aqui. Será cada vez maior o número de utentes excluídos do sistema. A pouco e pouco, remetem-nos para o tempo em que só tinha acesso à Saúde quem podia pagá-la, dos hospitais para ricos e dos hospitais para pobres, da poupança para a eventualidade de haver que suportar tratamentos com custos diários equivalentes a um múltiplo de um salário mensal de pobreza. É isto a refundação do Estado social. Uma viagem no tempo.