segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Lido por aí


«Ao assinar o Memorando de entendimento para obter o financiamento que lhe permitiria satisfazer todos os compromissos financeiros, Portugal estava a sujeitar-se a um programa de ajustamento estrutural idêntico ao de muitos países de África, da América Latina, da Ásia e até da Rússia. O currículo do FMI é um verdadeiro desastre no que toca às políticas de ajustamento que impôs, a ponto de diversos países (destaque para Malásia, Rússia e Argentina) se verem forçados a romper com ele para, com políticas diferentes, finalmente porem as suas economias a crescer, criar emprego e desendividar-se. Com uma diferença crucial: esses países tinham uma moeda própria, embora no caso da Argentina com uma paridade fixa e irrevogável com o dólar. Já agora, desmentindo a narrativa posta a correr pelos comentadores neoliberais acerca do caso da Argentina, importa recordar um facto central: no segundo trimestre após a ruptura com o dólar (Janeiro de 2002), a economia argentina retomou o crescimento. Seis anos depois tinha acumulado 63% de crescimento do produto, deixando para trás três anos e meio de recessão e a desastrosa política de “desvalorização interna” que bem conhecemos. (...)» – Jorge Bateira, artigo completo no Ladrões de Bicicletas.


«Já pensaram que se mandarmos embora a troika em jeito de revolução livramo-nos da sanguessugagem e ganhamos um feriado?» – Andrea Peniche, no Facebook.


«Um espectro paira na boca dos nossos governantes: o espectro da novilíngua. As forças políticas no poder, os sectores económico-financeiros que enriquecem com a crise e um punhado de comentadores muito mediáticos usam-na para consolidar a sua aliança sagrada. A novilíngua é a ideologia feita senso comum. É a língua que o poder dominante usa para legitimar a sua política.

A novilíngua austeritária faz-se dos eufemismos que nos circundam. Ela naturaliza uma visão de mundo que busca a retracção do Estado (“gordo”) e a entrega a privados de áreas de provisão pública (“ajustamento estrutural”). Convence-nos do predomínio dos mercados e dos interesses dos credores em detrimento dos interesses dos cidadãos (“honrar os compromissos”). Aposta na destruição do valor do trabalho e no corte nas prestações sociais (“incentivo à procura de emprego”). Faz-nos crer que o desemprego é voluntário e radica na falta de ambição pessoal (aposta no “empreendedorismo”). (...)» – Miguel Cardina, artigo completo no Arrastão.


«Reinava no Egipto Ramsés III e os trabalhadores que estavam a construir o seu túmulo protestaram por terem salários em atraso. Salários que consistiam de cereais e que, havia um mês ou dois, não eram distribuídos a pedreiros, cinzeladores, pintores, carpinteiros, marceneiros, mumificadores, guardas e artesãos de todos os tipos. Ao fim de três dias de greve, os trabalhadores acabaram por invadir o templo funerário do faraó Ramsés II e declararam: «Viemos até aqui porque temos fome, porque não temos roupa, nem peixe, nem óleo, nem verduras. Contai isto ao faraó, nosso Bom Senhor, e ao Vizir, nosso Chefe. Fazei com que possamos viver.» Durante os dois meses que se seguiram os pagamentos foram irregulares, o que deu origem a novos protestos. Só mais tarde se regularizaram.

Quando fizermos a próxima greve, em 14 de Novembro deste ano, estaremos a festejar um aniversário inesperado.» – "Em 14 de Novembro de 1152 AC – a primeira greve", Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória. ""  

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