sábado, 3 de novembro de 2012

Gostei de ler: "Então o que é que é esquerda?"


«(...) Acho que vale a pena lutar pelos “serviços mínimos”, por uma plataforma mínima, se essa plataforma for de esquerda. (...) Nós estamos na disposição de uma plataforma mínima. (...) O que são para nós os mínimos de esquerda, são quatro pontos apenas: primeiro, rasgar o Memorando. Segundo, devolver aquilo que os portugueses perderam em direitos, em salários, em pensões, em serviços públicos. Terceiro, uma reforma fiscal que tribute mais os rendimentos de capital e de propriedade que os rendimentos do trabalho. Quarto e último ponto: o controlo público do crédito bancário, que significa a nacionalização dos bancos que entretanto foram intervencionados. (...) Por uma razão simples: sem controlo público do investimento não há economia. E esse é um dos nossos dramas. Esta é a nossa proposta e a partir daí estamos disponíveis para todas as conversas e todas as discussões.

Agora, qual é o obstáculo? É que António José Seguro não diz isto. Diz que quem quer convergir com o PS tem de ter convergência sobre a União Europeia. Muito bem, nós também não queremos sair da União Europeia. Segundo, manutenção no euro. Nós também não pomos a questão de sair do euro. Terceiro, respeito pelo Memorando. E eu pergunto: é possível a esquerda entender-se, construir um governo, uma alternativa, com base no respeito pelo Memorando? (...) Uma das votações mais importantes desta legislatura foi a votação do pacto orçamental. O PS votou a favor do pacto orçamental. Como toda a esquerda europeia social- -democrata… Mas nós estamos numa situação dramática de pobreza e desemprego. Só se combate um e outro produzindo emprego e desenvolvendo a economia. Não há investimento privado, não há exportações suficientes para assegurar o desenvolvimento da economia. Só há uma solução: investimento público. Se um governo de esquerda aceita um défice público de 0,5%, está a dizer aos portugueses que vai continuar a aumentar os impostos, diminuir a despesa pública, que vai continuar a cortar na protecção social, nas empresas públicas, nos serviços públicos. Então o que é que é esquerda? (...)» - Entrevista de João Semedo ao I. Ler na íntegra aqui.

3 comentários:

Facebook share disse...

«(...) Acho que vale a pena lutar pelos “serviços mínimos”, por uma plataforma mínima, se essa plataforma for de esquerda. (...) Nós estamos na disposição de uma plataforma mínima. (...) O que são para nós os mínimos de esquerda, são quatro pontos apenas: primeiro, rasgar o Memorando. Segundo, devolver aquilo que os portugueses perderam em direitos, em salários, em pensões, em serviços públicos. Terceiro, uma reforma fiscal que tribute mais os rendimentos de capital e de propriedade que os rendimentos do trabalho. Quarto e último ponto: o controlo público do crédito bancário, que significa a nacionalização dos bancos que entretanto foram intervencionados. (...) Por uma razão simples: sem controlo público do investimento não há economia. E esse é um dos nossos dramas. Esta é a nossa proposta e a partir daí estamos disponíveis para todas as conversas e todas as discussões.(...)»

SILVA LOPES disse...

O filipe já em tempo deixou aqui o seu desgosto pelo não entendimento eleitoral nas ultimas eleições entre o PCP e o BE.Na altura até encontrou um nome para isso : chamou Esquerda Grande. Filipe, não é agora necessário por isso a andar?
Cumprimentos. SILVA LOPES

Filipe Tourais disse...

A esquerda grande não pode incluir a direita e tem que ser uma esquerda de compromissos, senão deixa de ser grande para ser uma esquerda metida num saco de plástico do Pingo Doce.