sexta-feira, 9 de novembro de 2012

As austeridades não são todas iguais

Num momento em que, do lado de cá da fronteira, a verrina oficial repete lengalengas com bifes sem sombra de virtude e dentes lavados sem água a correr cheios da que falta aos primeiros, mesmo aqui ao lado, Espanha chora o terceiro suicídio em três semanas associado a uma execução de hipoteca. Diz-se que é uma crise financeira e foi originada pela ganância de banqueiros delinquentes, seria suposto que os suicídios começassem por acontecer e fossem mais frequentes nesta classe de ladrões. A minha memória não regista nem um único caso. As pessoas só se suicidam em horas de grande aperto, o que, definitivamente, não é o caso destes amigos que conseguem crédito a menos de um quarto do preço a que é cedido a países em dificuldades.
E também não recordo nenhum caso de suicídio em Portugal motivado por uma execução de hipoteca, embora as haja para aí às centenas por mês. A independência e a qualidade da nossa imprensa e da classe que nela trabalha adivinha-se também nestes pequenos detalhes. Os portugueses são mais resistentes ao sufoco que os espanhóis e todos juntos estamos a dar a volta à crise. Esta verdade oficial não resistiria à constatação de que a austeridade que nos sufoca está e vai continuar a matar. Tivemos um Salazar que foi o ditador mais bonzinho de todos os tempos. A nossa austeridade também não é tão má como a dos outros. Nós vamos conseguir.

Quase nada relacionado: com o mercado interno completamente desmantelado pelo fanatismo austeritário dos nossos últimos Governos, os mercados internos de outros países que adoptaram políticas com o mesmo sinal ressentem-se da mesma austeridade: as vendas ao exterior, que registaram uma evolução positiva em 2012, em Setembro mostram uma inversão dessa tendência. As exportações sofreram uma quebra de 6,5% relativamente ao mesmo mês de 2011. Toda a imprensa atribui esta quebra a uma greve parcial nos portos portugueses. Sem dizer que é parcial, claro está.

1 comentário:

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Num momento em que, do lado de cá da fronteira, a verrina oficial repete lengalengas com bifes sem sombra de virtude e dentes lavados sem água a correr cheios da que falta aos primeiros, mesmo aqui ao lado, Espanha chora o terceiro suicídio em três semanas associado a uma execução de hipoteca. Diz-se que é uma crise financeira e foi originada pela ganância de banqueiros delinquentes, seria suposto que os suicídios começassem por acontecer e fossem mais frequentes nesta classe de ladrões. A minha memória não regista nem um único caso. As pessoas só se suicidam em horas de grande aperto, o que, definitivamente, não é o caso.
E também não recordo nenhum caso de suicídio em Portugal motivado por uma execução de hipoteca, embora as haja para aí às centenas por mês. A independência e a qualidade da nossa imprensa e da classe que nela trabalha adivinha-se também nestes pequenos detalhes. Os portugueses são mais resistentes ao sufoco que os espanhóis e todos juntos estamos a dar a volta à crise. Esta verdade oficial não resistiria à constatação de que a austeridade está a matar. Tivemos um Salazar que foi o ditador mais bonzinho de todos os tempos. A nossa austeridade também não é tão má como a dos outros. Nós vamos conseguir.