quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A hora do tudo ou nada


Depois do aumento brutal de impostos para cumprir a meta orçamental de um défice de 4,5% do PIB em 2013, largamente excedidos todos os limites do suportável em matéria fiscal, em 2014, com um objectivo orçamental de 2,5% do PIB como tecto para o défice, a somar à reedição  do assalto fiscal de 2013 teremos também cortes brutais na despesa, 4 mil milhões, conforme sugerido pelo próprio Governo.

Segundo Marques Mendes, que revelou que o FMI já está em Portugal a trabalhar nessa reforma, serão 500 milhões na defesa, justiça e segurança e 3 mil e 500 milhões na segurança social, saúde e educação. O ex-presidente do PSD disse ainda que a reforma vai passar por várias concessões a privados, dando como exemplos as florestas, centros de saúde e os transportes públicos, pela mobilidade especial da função pública e pelo aumento de taxas moderadoras na saúde e de propinas na educação.

Depois, para os que sobrevivam, entrará em cena o tecto para o défice de 0,5% do PIB da chamada "regra de ouro" do tratado orçamental europeu, assinado a 2 de Março último pelos representantes de 25 dos 27 países membros da UE e que PSD, CDS e a maioria dos deputados do PS se apressaram a aprovar logo a seguir e sem referendo, a 13 de Abril, concedendo a Portugal e aos portugueses a honra suprema de termos sido o primeiro país a ratificá-lo.

Tudo isto para constatar que, ao contrário do que foi regra até aqui, más notícias servidas em pequenas parcelas de futuro de absorção mais suave e fácil, pela primeira vez, temos diante dos olhos um horizonte temporal suficientemente largo para compreendermos o que nos espera se nada fizermos para evitá-lo. É a hora do tudo ou nada. Um dia de greve não chegará, terão que ser uma, duas, as semanas que forem necessárias para fazer cair este Governo assassino e depois elegermos representantes dignos do futuro que queremos. Algo teremos que perder, vai ser duro, há que assumi-lo . Mas é o que nos resta. Não podemos dar-nos ao luxo de fazer como o burro daquela fábula cujo dono lhe foi sucessivamente reduzindo a dose de ração até que, um dia, inesperadamente, no preciso momento em que o dono já o tinha desabituado de comer, puf, irreversível fatalidade, o burro morreu. Continuaremos a vestir a pele desse burro se nos limitarmos a esperar que o tempo passe. Está na hora de agir. Como homens e como mulheres. Como gente. Como povo dono do seu próprio destino.

(editado)

1 comentário:

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Depois, para os que sobrevivam, entrará em cena o tecto para o défice de 0,5% do PIB da chamada "regra de ouro" do tratado orçamental europeu, assinado a 2 de Março último pelos representantes de 25 dos 27 países membros da UE e que PSD, CDS e a maioria dos deputados do PS se apressaram a aprovar logo a seguir e sem referendo a 13 de Abril, concedendo a Portugal e aos portugueses a honra suprema de termos sido o primeiro país a ratificá-lo.