quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Zé desgraçadinho, parte II (e III)


Zé desgraçadinho, parte II. Portugal volta a comover-se. Um deputado do PS confessa que, quase aos 50, sobrevive graças à ajuda dos pais. Na parte I desta saga euro-dramática, Cavaco Silva é órfão, não pode aspirar ao mesmo tipo de ajuda. Grande injustiça. E, em todos os episódios da austeridade que é objecto de queixa dos dois Zés desgraçadinhos, els ou votaram a favor, ou promulgaram sem reservas ou abstiveram-se "violentamente". O justo era que fossem mas é queixar-se à mãezinha ou equivalente que os possa ter dado à luz.

  • Vagamente relacionado: O líder parlamentar dos socialistas repetiu que o PS tinha no Parlamento dois BMW série 5 e dois Audi 4 em sistema de renting. “O contrato acabou. Decidimos que a solução mais económica. Passar para aluguer de longa duração e alugar um Audi A5 e 3 VW Passat. Só quem não sabe o que é a actividade da AR [Assembleia da República] é pode imaginar que um GP pode não ter carros para os deputados que são solicitados para participar diariamente em actividades da sociedade civil em todo o País”, afirma. O socialista revela mais uma vez que o grupo parlamentar paga mensalmente 3700 euros de renda e faz uma pergunta à qual dá resposta: “É dinheiro dos contribuintes? Claro que é. Mas quem quer uma democracia sem custos, o que verdadeiramente deseja é uma não democracia. Sem democracia os custos são ainda mais elevados mas ninguém sabe. Eu sou democrata e quero que tudo se saiba. No final da sua mensagem no Facebook acrescenta que até deixou “de poder usar em serviço um BMW 5 para usar um Audi 5 porque era significativamente mais barato”. Zé desgraçadinho, parte III.
 
Nota importante: não tenho absolutamente nada contra os deputados terem à disposição um carro de serviço. Exceptuando aqueles que trabalham por sua conta e risco, nenhum de nós pode ser obrigado a usar os seus bens pessoais no exercício da sua profissão, pondo-os ao serviço da entidade patronal. Para além disso, nem sempre é possível ou prático o uso dos maus transportes públicos que temos e pode resultar mais barato ter uma viatura de serviço do que pagar as deslocações ao preço do táxi ou de um rent-a-car. E aqui está o ponto da questão: não está escrito em lado nenhum que estas viaturas tenham obrigatoriamente que custar pelo menos 60 ou 70 mil euros, fora os juros.

3 comentários:

Facebook share disse...

Zé desgraçadinho, parte II. Portugal volta a comover-se. Um deputado do PS confessa que, quase aos 50, sobrevive graças à ajuda dos pais. Na parte I desta saga euro-dramática, Cavaco Silva é órfão, não pode aspirar ao mesmo tipo de ajuda. Grande injustiça.

Anónimo disse...

Penso que os carros servem principalmente para saídas em trabalho partidário. Logo, os deputados não devem ter carros pagos por nós.
Afinal eles estão lá para servir o país (segundo dizem) e não para se servirem.

Filipe Tourais disse...

Trabalho partidário é uma coisa, trabalho parlamentar é outra bem diferente. Áliás, se o trabalho partidário for feito usando bens do Estado, tal constitui um crime punível por lei.