sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sobre os juros que eles nunca quiseram negociar


François Hollande, presidente francês, reconheceu esta madrugada que os países mais ricos do euro beneficiam das elevadas taxas de juro que estão a ser exigidas pelos mercados financeiros aos parceiros mais frágeis. Os bolsos dos portugueses também já o notaram, mas os nossos governos limitam-se a aceitá-lo como uma variável exógena da representação do interesse nacional. PS, PSD e CDS não negociaram juros desde o início, a troika fixou no memorando os juros que quis receber, nem nunca questionaram a bizarria das regras de funcionamento do BCE, que deveria ser um instrumento de política monetária e nunca um fornecedor de liquidez à especulação financeira que empurra as sociedades europeias para o jugo da agenda política de assalto a salários e a direitos dos fanáticos neo-liberais.
Está na hora de negociar. Com outro Governo, fora do centrão de interesses que já deu provas suficientes do uso que dá ao poder que lhe é confiado. É natural que brevemente oiçamos um papagaio falar sobre este assunto. António José Seguro procura ter um relacionamento com Hollande em tudo igual ao que Passos Coelho tem com Merkel.

Vagamente relacionado: Eles habituam-se a lidar com homens sem tomates mas, às vezes, aparece-lhes pela frente uma mulher com eles bem no sítio. O populismo da Presidente argentina não me agrada de todo, tão-pouco as tradicionais batotas nos indicadores, em Portugal também as temos, mas é assim que se responde a ameaças do FMI, não é com o rabinho entre as pernas: "A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, reagiu na terça-feira a um alerta do Fundo Monetário Internacional (FMI) relativamente ao método para medir a inflação, afirmando, na Assembleia-Geral da ONU, que o país não vai ceder a «nenhuma ameaça», cita a Lusa."

Ainda mais vagamente: Os primeiros ministros de Espanha e Grécia alertaram os parceiros da União Europeia (UE) para o impacto social da crise económica nos respectivos países, afirmou esta madrugada o presidente francês, François Hollande. Pedro Passos Coelho não fez o mesmo. Pelo contrário, ainda criticou o presidente francês por ter revelado um detalhe dos debates dos líderes da União Europeia durante a cimeira que terminou esta tarde em Bruxelas.

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François Hollande, presidente francês, reconheceu esta madrugada que os países mais ricos do euro beneficiam das elevadas taxas de juro que estão a ser exigidas pelos mercados financeiros aos parceiros mais frágeis. Os bolsos dos portugueses também já o notaram, mas os nossos governos limitam-se a aceitá-lo como uma variável exógena da representação do interesse nacional. PS, PSD e CDS não negociaram juros desde o início, a troika fixou os juros que quis receber. Está na hora de negociar. Com outro Governo, fora do centrão de interesses. É natural que brevemente oiçamos um papagaio a falar sobre este assunto. António José Seguro tem um relacionamento com Hollande em tudo igual ao que Passos Coelho tem com Merkel.