segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A noite das raridades


É uma raridade ouvir Pedro Passos Coelho a reagir a uma adversidade sem falar no seu antecessor. Fê-lo esta noite, antes mesmo das urnas fecharem, já se configurava a nova maioria absoluta conseguida pelo PS nas eleições regionais açorianas, que se confirmou pouco depois. Porém, pelo menos directamente, a culpa voltou a não ser sua. Ao estrondo da derrota remeteu-o para a "importância do contexto nacional". Berta Cabral "contou com o apoio do PSD nacional", embora ninguém o tenha visto ao seu lado durante toda a campanha eleitoral, desconhece-se se por exigência da candidata ou por proibição do otorrino de Pedro Passos Coelho, impossibilitado de sair à rua pelos decibéis dos protestos que o acompanham para onde quer que vá.

E não foi a única raridade do dia. Não é costume ver o Bloco de Esquerda e o PSD com uma leitura tão aproximada da realidade como aconteceu esta noite. Na leitura do BE, o Orçamento do Estado e “um conjunto de medidas de assalto fiscal” acabaram por “afastar o eleitorado que podia ter votado em Berta Cabral”, candidata a presidente do governo regional pelo PSD, e explicam a “enorme quebra política dos partidos da coligação no governo” central. Mas não explica a perda de votos do Bloco de Esquerda, que viu reduzida a sua representação parlamentar de 2 para 1 mandato e que o embaraço de Luís Fazenda também não quis explicar.
A mesmíssima conjuntura seria propícia a que o Bloco de Esquerda subisse nas intenções de voto também a nível nacional, mas uma súbita loucura bicéfala instalou-se no partido no pior momento, quando o país mais precisa de uma alternativa forte e credível. A comunicação de Luís Fazenda mostra muito do que tem que acontecer no Bloco para que essa alternativa apareça. A reacção de hoje foi em tudo idêntica à da noite eleitoral de 5 de Junho de 2011, quando o Bloco de Esquerda também viu a sua representação parlamentar reduzida a metade. As derrotas dos outros de maneira alguma podem servir de consolo para os próprios desaires, ainda mais sendo hecatombes tão violentas como as de ambos os casos. No primeiro, o Bloco festejou a derrota do PS, simultaneamente vitória do PSD. No segundo, o mesmo festejo, com PS e PSD a inverterem as posições. Não serve.

1 comentário:

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E não foi a única raridade do dia. Não é costume ver o Bloco de Esquerda e o PSD com uma leitura tão aproximada da realidade como aconteceu esta noite. Na leitura do BE, o Orçamento do Estado e “um conjunto de medidas de assalto fiscal” acabaram por “afastar o eleitorado que podia ter votado em Berta Cabral”, candidata a presidente do governo regional pelo PSD, e explicam a “enorme quebra política dos partidos da coligação no governo” central. Mas não explica a perda de votos do Bloco de Esquerda, que viu reduzida a sua representação parlamentar de 2 para 1 mandato e que o embaraço de Luís Fazenda também não quis explicar. A conjuntura seria propícia a que o Bloco de Esquerda subisse nas intenções de voto também a nível nacional, mas uma súbita loucura bicéfala instalou-se no partido no pior momento, quando o país mais precisa de uma alternativa forte e credível. A reacção de Luís Fazenda mostra muito do que tem que acontecer no Bloco para que essa alternativa apareça. A reacção de hoje foi em tudo idêntica à da noite eleitoral de 5 de Junho de 2011, quando o Bloco de Esquerda também viu a sua representação parlamentar reduzida a metade. As derrotas dos outros de maneira alguma podem servir de consolo para os próprios desaires, ainda mais sendo hecatombes tão violentas