terça-feira, 9 de outubro de 2012

Para memória futura


Menos crescimentos nos Estados Unidos, uma recuperação frágil da zona euro e um abrandamento da actividade económica dos países emergentes levarão a economia mundial a crescer menos do que o esperado em 2013. A previsão, novamente optimista, registe-se, é feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que esta segunda-feira reviu em baixa as previsões de crescimento da economia global para o próximo ano. Lá se vai o motor do nosso crescimento, alegadamente, as exportações. Aqui fica esta breve nota para memória futura, para quando o Governo vier com aquela das alterações do quadro macroeconómico global que servirá como desculpa daqui a uns meses, quando a anunciada recuperação voltar a não verificar-se no segundo trimestre de 2013. Em Outubro de 2012, hoje, antes da aprovação do OE 2013, já se sabia. E o Governo continuou a trucidar o mercado interno com impostos sobre os rendimentos do trabalho  e com reduções salariais, sem sombra de investimento público.

Voltando ao mesmo relatório, o FMI admite que calculou mal o impacto da sua austeridade sobre as economias dos países vítimas da sua “assistência financeira” e começou a corrigir algumas contas: por cada euro de austeridade, a economia não cai 0,5 euros, mas sim entre 0,9 e 1,7 euros. Com governantes que representassem os reais interesses dos países respectivos, à assunção de um erro destes e tratando-se de uma austeridade imposta da forma que foi, com consequências tão dramáticas sobre as economias em causa e as vidas de tantas pessoas, seguir-se-ia um mais do que natural pedido de indemnização. Mas não temos governantes desse tipo. Os nossos chamam irresponsáveis a quem defende a denúncia de um memorando baseado em cálculos errados.

Vagamente estúpido: o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, apelou hoje às forças políticas em Portugal para continuarem a trabalhar com o «espírito construtivo» que até agora caracterizou a implementação do programa de assistência destrutivo.
(editado)

1 comentário:

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Menos crescimentos nos Estados Unidos, uma recuperação frágil da zona euro e um abrandamento da actividade económica dos países emergentes levarão a economia mundial a crescer menos do que o esperado em 2013. A previsão, novamente optimista, registe-se, é feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que esta segunda-feira reviu em baixa as previsões de crescimento da economia global para o próximo ano. Lá se vai o motor do nosso crescimento, alegadamente, as exportações. Aqui fica esta breve nota para memória futura, para quando o Governo vier com aquela das alterações do quadro macroeconómico global que servirá como desculpa daqui a uns meses, quando a anunciada recuperação voltar a não verificar-se no segundo trimestre de 2013. Em Outubro de 2012, hoje, antes da aprovação do OE 2013, já se sabia. E o Governo continuou a trucidar o mercado interno com impostos sobre os rendimentos do trabalho e com reduções salariais, sem sombra de investimento público.