quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O raio que os parta


Redução de 10% no subsídio social de desemprego, redução do Rendimento Social de Inserção (RSI) em 6% e redução do complemento solidário para idosos em 2,25 %. Dir-se-ia que a imaginação pérfida do actual Governo não tem limites. Dir-se-ia que a proposta por si apresentada aos parceiros sociais foi exagerada propositadamente para forçar cedências destes noutras matérias. Dir-se-ia que foi feita à medida do júbilo da tacanhez daqueles ouvintes-comentadores de programas das manhãs das rádios a quem ouvimos insurgirem-se contra ciganos, imigrantes e pobres em geral, cuja felicidade invejam. Dir-se-ia que tais comentadores poderiam perfeitamente ser ministros e cada ministro ser um destes comentadores, o nível é o mesmo.

Contudo, para além de todas as considerações que a emoção nos possa fazer saltar, a medida é inexplicável até do ponto de vista económico: estamos na presença de cortes no rendimento precisamente daquela faixa de população cuja propensão marginal a consumir é maior. O mesmo será dizer que cada euro que se lhes retire é um euro a menos no consumo interno, ou seja, tem associadas uma redução directa das receitas fiscais e um impacto directo sobre o desemprego e a diminuição do produto. Falta, portanto, que o Governo finalmente assuma que o seu objectivo é minimizar as receitas fiscais e maximizar o desemprego e a recessão. À luz destes objectivos, a medida é absolutamente correcta e não haveria outra com um impacto maior. Correr com eles tornou-se uma questão de sobrevivência.

6 comentários:

Facebook share disse...

Contudo, para além de todas as considerações que a emoção nos possa fazer saltar, a medida é inexplicável até do ponto de vista económico: estamos na presença de cortes no rendimento precisamente daquela faixa de população cuja propensão marginal a consumir é maior. O mesmo será dizer que cada euro que se lhes retire é um euro a menos no consumo interno, ou seja, tem associadas uma redução directa das receitas fiscais e um impacto directo sobre o desemprego. Falta, portanto, que o Governo finalmente assuma que o seu objectivo é minimizar as receitas fiscais e maximizar o desemprego. À luz destes objectivos, a medida é absolutamente correcta e não haveria outra com um impacto maior. Mas não vamos deixá-los chegar a tanto. Temos que correr com eles, antes que seja demasiado tarde. Rua. Chega. Vão brincar com o raio que os parta. Correr com eles tornou-se uma questão de sobrevivência.

JJV disse...

Já não há palavras... acho que estamos em estado de sítio e eles de cabeça perdida estão a limpar as gavetas e armarios, metem-se num avião e lá vão gozar os 50% de prémio que os reguladores ganham para não trabalharesm durante 2 anos (cerca de 5.000 Eur por mês, durante 2 anos, para não trabalhares e irem gozar férias). As migalhas que estão a roubar ao pão dos que não tem mais nada para comer, é para isto que servem... Roubam aos pobres, que são muitos, e dão aos ricos (que são poucos, mas são amigos ou camaradas, como eles gostam de dizer). Muito triste ver um país terminar assim. Camões, Vasco da Gama e Companhia já muitas voltas deram nos seus túmulos. Nós temos os nossos Robins dos Bosques, mas ao contrário...

Anónimo disse...

A proposta de redução do valor mínimo do subsídio de desemprego em 42 euros, enviada pelo governo aos parceiros sociais é a mais chocante e a mais desconcertante de todas as novas medidas previstas de corte nas prestações sociais. A severidade dos cortes leva, por exemplo, o Jornal de Negócios, a usar a palavra "razia" na manchete desta manhã. Dói, assusta, indigna, mas já não espanta, tamanha tem sido a frieza e a insensibilidade das decisões.Mas aquela concreta proposta de redução do valor mínimo do subsídio de desemprego para os 377 euros provoca ainda estupefacção, é ainda desconcertante na medida em que configura uma ofensa gratuita à própria ideia de concertação. Já não revela apenas insensibilidade social, mas desprezo pelos mais desamparados. É uma seringa que procura a veia onde corre já, apenas um fio ténue,, não para injectar um sopro de vida, mas para sangrar ainda mais o desvalido, para provocar o seu desfalecimento.O ministro Mota Soares explicou entretanto que se trata apenas de uma proposta e as habituais fontes próximas sugerem que o governo pode deixar cair a medida. Trata-se de uma prática já sucessivamente ensaiada, a do barro à parede. Uma medida esconde outra, ainda mais gravosa. Ou aquela tão escandalosa serve de pretexto a um recuo. Mas deixe ou não cair a medida, o governo deixou cair, irremediavelmente, a máscara da preocupação social.Deve o actor politico com responsabilidades governativas atender à noção de limite. Saber os limites razoáveis da sua acção.Ora esta é uma área em que o governante não lida apenas com os limites do cálculo diferencial ou qualquer outro da formulação matemática. Por mais que pareça ser esse o único limite da visão gaspariana, há limites éticos. Há limites impostos pela sensibilidade social, pela compaixão diante do sofrimento.Mota Soares fala em documento preliminar. Mas esse é um assunto em que devia dispensar os preliminares. Quem vai ser brutalizado, dispensa carícias e falas mansas.

Anónimo disse...

Miserável, é o nome que melhor se adequa á proposta e a quem a fez.
Mas isto, a meu ver, é o PSD e o CDS no seu melhor.
Como já disse muitas vezes, a direita não esquece o que lhe fizeram no 25/4 e por isso, sempre que pode, trata de se vingar.

Gi disse...

Estou farta de ouvir dizer que é preciso cortar aos mais pequenos, que são muitos, enquanto que os grandes são poucos e pouco significativo. Há um sentimento que não sei nomear mas que não aceita estas coisas.

arménio pereira disse...

Kill the poor!!!

http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=owI7DOeO_yg&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=euqf_UKFtgY

Afinal, o senhor ministro das audi-lambretas é um folgazão...