sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O neologismo do dia


O neologismo do dia é: "fadiga do ajustamento". Não é termo que se leia nos livros de economia, é uma criação à margem da ciência da autoria do FMI, mas é daquelas que entram no ouvido para explicar tudo sem explicar rigorosamente nada. Naturalmente, à semelhança de todas as anteriores criações, já há papagaios a repeti-lo em toda a comunicação social com aqueles ares de familiariedade que fazem de qualquer neologismo uma palavra aprendida logo a seguir a "papá" e a "mamã", que depois os acompanhou durante toda a vida. Esta gente está sempre na crista da onda. Responsabilidade. Emagrecer o Estado. Sentido de Estado. Agilizar. Realisticamente. Funcionários públicos a mais. Radicais de esquerda. Poderosos interesses corporativos. Utópico. Irrealista. Pró-activo. Arco do poder. Estabilidade política. Portugal não é a Grécia. O período que o país atravessa. Ajuda financeira. Reformas estruturais necessárias. Portugal não é a Grécia. Esforço necessário. Portugal não é a Grécia. Acalmar os mercados. Consenso social. Portugal não é a Grécia. Vivemos acima das nossas possibilidades. Não há dinheiro para pagar salários. Portugal não é a Grécia. Não há alternativa. Em qualquer lar, quando a família gasta mais do que aquilo que ganha, trálálá lá lá lálá. Portugal não é a Grécia. Extremistas. Portugal não é a Grécia. Portugal não éra a Grécia. Puta que os pariu.


Neologismo do dia seguinte: “refundação” do programa de ajustamento".


(editado)

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