quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Circo troika apresenta


 



 Argumentos, não tinham. Resultados para apresentar, muito menos. Mudança de estratégia, não querem. Projectos, nem o sonho antigo de Álvaro Santos Pereira de fazer com que o pastel de nata seja para Portugal aquilo que foi a bola de Berlim na afirmação da Alemanha como um colosso mundial. Como tal, o debate das moções de censura do Bloco de Esquerda e do PCP decorreu em ambiente de circo, com os números a sucederem-se no arco do poder. Até o líder do partido dos contribuintes desapareceu, como por magia.

Em abono da verdade, magia foi o que menos faltou. Abriu o mágico Pedro Passos Coelho, que se escondeu atrás de um truque para iludir as percepções que resultariam ainda mais nítidas caso se visse obrigado a responder separadamente a cada intervenção. Cândida Esteves permitiu que o seu menino respondesse ao final de cada ronda de intervenções às perguntas que lhe apetecesse não deixar pelo caminho. Isto se considerarmos como respostas os delírios apocalípticos que apresentou como alternativa ao cataclismo caseiro da sua co-autoria, recreações em torno das palavras “extrema-esquerda e “radicalismo, fabulações com cenários moscovitas e parisienses protagonizadas pelo papão do comunismo ou pelo engenheiro do inglês técnico e, claro, aquela lengalenga dos mercados que lhe tem servido como pretexto para ter o país a saque. Quando não há muito para dizer, a alhos responde-se com bugalhos, ensinava o mestre Sócrates. E na côrte de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas são todos bons alunos dessa mesma escola.

Contudo, houve artistas que tentaram quebrar ou exagerar esta regra elementar de sobrevivência parlamentar e os números não lhes saíram nada bem. Que o diga a contadora de histórias Teresa Leal Coelho, vice do PSD, cujo exagero involuntariamente revelou que a troika é a sua Moscovo e que, saúde-se a poupança, é essa troika que paga os salários aos deputados das bancadas que suportam o Governo. Da mesma forma, que o diga o palhaço Moderadinho, o qual, ao comparar a quebra de “apenas” 6,6% nas rubricas de remunerações certas e permanentes verificada no final do primeiro semestre de 2011, quando o PS estava no Governo, com a quebra de 16,4% que se registava no período homólogo deste ano, recordou a quem o soube ouvir quanto se roubava quando o seu partido estava no poder: o PS é sempre mais”light” em tudo, até a roubar. Bom, mas roubar com responsabilidade e sentido de Estado é uma arte  ao alcance de poucos.
Porém, ainda ao alcance de um número mais restrito de eleitos é a arte de elogiar o “melhor povo do mundo” porque e precisamente quando esse “melhor povo do mundo”não deixa o artista do elogio circular na rua sem lhe dispensar uma boa dose de insultos extensíveis à sua própria mãe. Fê-lo o futuro ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, para surpresa de todos os companheiros de quadrilha e, suponho eu, para deleite de Angela Merkel e dos mercados, que tudo vêem e tudo ouvem. Temos a obrigação moral de entendê-lo. Ser condenado a prisão domiciliária pelo melhor povo do mundo afectaria a moleirinha de qualquer um. Este convenceu-se que seria assim que reconquistaria o crédito que tinha antes do melhor povo do mundo perceber a gravidade da loucura furiosa que se esconde atrás daquela voz doce que anuncia desgraças tão devagarinho. Este Gaspar está cada vez mais maluco. O melhor povo do mundo vai continuar a sair à rua a exigir-lhe o merecido descanso..

 





 

1 comentário:

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Abriu o mágico Pedro Passos Coelho, que se escondeu atrás de um truque para iludir as percepções que resultariam ainda mais nítidas caso se visse obrigado a responder separadamente a cada intervenção. Cândida Esteves permitiu que o seu menino respondesse ao final de cada ronda de intervenções às perguntas que lhe apetecesse não deixar pelo caminho. Isto se considerarmos como respostas os delírios apocalípticos que apresentou como alternativa ao cataclismo caseiro da sua co-autoria, recreações em torno das palavras “extrema-esquerda e “radicalismo, fabulações com cenários moscovitas e parisienses protagonizados pelo papão do comunismo ou pelo engenheiro do inglês técnico e, claro, aquela lengalenga dos mercados que lhe tem servido como pretexto para ter o país a saque. Quando não há muito para dizer, a alhos responde-se com bugalhos, ensinava o mestre Sócrates. E na côrte de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas são todos bons alunos dessa mesma escola.