segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As revoluções também se fazem com votos (continuação)




Em capítulos anteriores, vimos como os islandeses, diante de uma bancarrota, souberam fazer uma autêntica revolução, absolutamente democrática, e tiveram a coragem de querer mudar de vida. Neste processo, os islandeses correram com a direita que então detinha o poder, esvaziaram a esquerda prostituída ao liberalismo que se propunha adoptar as mesmas soluções que os primeiros e fizeram das eleições a oportunidade para reassumirem as rédeas dos seus destinos, pondo aos comandos do país uma coligação de esquerda formada por social-democratas, feministas, ex-comunistas e Verdes. Em referendo, com aproximadamente 93 por cento dos votos, recusaram que fosse a sua sociedade a pagar o buraco financeiro gigantesco aberto pela ganância de banqueiros delinquentes. Prenderam quantos destes ladrões puderam. Asseguraram o controlo da sociedade sobre o sistema financeiro nacionalizando os três maiores bancos. Mandaram os credores externos esperar. E elegeram uma assembleia constituinte em 27 de Novembro de 2010 incumbida da redacção de uma nova Constituição capaz de limitar os excessos de um capitalismo que lhes provocou um sabor tão amargo e de catapultar de novo a Islândia para uma trajectória de progresso e de justiça social.

Pois bem, este processo constitucional terminou, já com a economia islandesa a crescer como em nenhum outro país da Europa e, como tal, também ao contrário do que acontece em toda a UE, com o seu desemprego a cair. Foi ontem. A nova Constituição foi aprovada por larga maioria e a mesma tendência acompanhou as seis perguntas referendadas em paralelo, sobre a adopção de religião oficial, distribuição dos votos por circuitos eleitorais, eleição de independentes para o parlamento, os requisitos para a convocação de futuros referendos por grupos restritos de cidadãos e a nacionalização dos recursos naturais do país.

Esta última, a mais debatida, foi aprovada com 81 por cento dos votos. Depois de nacionalizarem um sector financeiro que, tal como cá, por ineficaz, apenas sobreviveria à sombra da ameaça de novas falências e com os impostos dos islandeses, são agora também  os recursos naturais do país que serão postos a financiar melhor Saúde, melhor Educação, melhor Cultura, melhor Segurança Social, melhor Justiça, uma vida melhor para cada islandÊs e não apenas uma vida melhor para os bem colocados junto do poder a quem sejam concessionados. Aqui fica mais uma ideia deixada pelos islandeses a todos os povos que se têm deixado embalar pelo medo de um dinheiro que foge e pelas vantagens da rentabilização de recursos que são de todos por rendeiros monopolistas privados. Já seria hora de também ganharmos juízo.

2 comentários:

Facebook request disse...

Pois bem, este processo constitucional terminou, já com a economia islandesa a crescer como em nenhum outro país da Europa e, como tal, também ao contrário do que acontece em toda a UE, com o seu desemprego a cair. Foi ontem. A nova Constituição foi aprovada por larga maioria e a mesma tendência acompanhou as seis perguntas referendadas em paralelo, sobre a adopção de religião oficial, distribuição dos votos por circuitos eleitorais, eleição de independentes para o parlamento, os requisitos para a convocação de futuros referendos por grupos restritos de cidadãos e a nacionalização dos recursos naturais do país.

Anónimo disse...

Não custa sonhar. Mas acreditar que veremos em Portugal algo remotamente parecido com o que se passou na Islândia é ir muito para lá dos meus melhores sonhos.