quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As lágrimas do enfermeiro que desconhecia a CRP


Antes de partir para Inglaterra, onde conseguiu trabalho, este enfermeiro decidiu tornar público que abandona Portugal convencido de que é o Presidente da República quem cria os impostos neste país. Já se sabe, aliás toda a gente sabe, a culpa de isto estar como está é unicamente dos políticos. Nada a ver com um povo embrutecido mas intrinsecamente bonzinho que não tem quaisquer responsabilidades na escolha dos seus representantes e muito menos se dá ao trabalho de saber como funciona a sua democracia.
Ao menos que, quando regresse, o senhor enfermeiro peça também à Rainha de Inglaterra que não invente mais impostos sobre as lágrimas e a saudade dos ingleses. Em bom rigor, aliás, a ignorância pimba que até aqui nos trouxe é que devia pagar imposto. Seria menos emocionante e húmido, é certo, mas podia ser que isto espevitasse.

(editado)

23 comentários:

M.C. disse...

Os 50 anos de obscurantismo deixaram marcas muito difíceis de apagar.
Este, é só mais um pequeno mas triste exemplo.

Facebook share disse...

Antes de partir para Inglaterra, onde conseguiu trabalho, este enfermeiro decidiu tornar público que abandona o país convencido de que é o Presidente da República quem cria os impostos neste país. Já se sabe, aliás toda a gente sabe, a culpa de isto estar como está é unicamente dos políticos. Nada a ver com um povo embrutecido mas intrinsecamente bonzinho que nem tem responsabilidades na escolha dos seus representantes e muito menos se dá ao trabalho de saber como funciona a sua democracia.
Ao menos que, quando regresse, o senhor enfermeiro peça também à Rainha de Inglaterra que não invente mais impostos sobre as lágrimas e a saudade dos ingleses. Seria novamente emocionante. Aqui entre nós, que ninguém nos lê, a ignorância que até aqui nos trouxe é que devia pagar imposto. Podia ser que isto espevitasse.

vidal disse...

Vivemos uma época conturbada. As emoções estão à flor da pele. As pessoas sentem-se na obrigação de serem protagonistas na desorganização social que grassa nas chamadas economias de mercado. Uma senhora mostra,candidamente, as mamas frente à Assembleia; um garoto tenta imolar-se pelo fogo algures no norte;outro miudo chama filho da p... ao 1º ministro, por todo o lado, descabidamente, aparecem insultos a tudo o que cheira a politico, etc. etc. manifestações gratuitas e fora de qualquer contexto politico racional e/ou organizado.
No caso vertente, o dito enfermeiro acha-se diferente dos cerca de 10.000.000 -DEZ MILHÕES- de portugueses que andam na diaspora. Enfim,são os ditames deste nosso tempo...

Anónimo disse...

Ora bem...em boa verdade o Presidente pode não criar impostos...mas tem o poder de vetar muita coisa...incluindo os ditos...

Por isso tal como dizia o outro... "o burro é o senhor!" (permita-me a alteração...). E mais, se acha que são tão essenciais...podia pagar os meus... Agradecida! Ana

José Costa disse...

O país do Burro... eu a mim cheira-me também a blog do Burro :) na verdade, é o governo que cria os impostos que, por sua vez, têm de ser promulgados pelo Senhor Presidente da República que não se mexe para impedir que eles sejam criados... do mesmo modo que é o Presidente que tem nas mãos impedir que este governo continue a atentar contra a CRP, contra o Estado de Direito, contra a Democracia, contra o Estado de Legalidade. Está nas mãos do Presidente demitir este governo, impedir que os impostos continuem a surgir, impedir que a austeridade continue a matar de fome famílias inteiras. Está muito na mão do Presidente, portanto meu caro, o enfermeiro não esteve assim tão mal, ao contrário de si que numa busca desenfreada por passar atestados de estupidez a quem busca uma vida melhor, esteve muito mal.
Cumprimentos e arranje uma vida.

Aveias disse...

Vai po caralho...

Filipe Tourais disse...

Dois esclarecimentos:

1. O enfermeiro vai para Inglaterra, não para o caralho.

2. É a Assembleia da República que tem competências para aprovar impostos e é aos enfermeiros e não enfermeiros deste país que compete eleger os seus representantes nessa Assembleia. O Governo propõe-os e, caso a Assembleia os aprove, o Presidente promulga - ou não - o diploma respectivo.

Filipe Tourais disse...

Aos amigos do insulto que por aqui passam, gostaria de clarificar que considero que o exemplo desta carta reflecte todo o percurso que até aqui nos trouxe. Seria de admirar que isto não desse para o torto com tantos enfermeiros e não enfermeiros convencidos que é o Governo ou o Presidente da República que tem competências para aprovar impostos. Como consequência desta ignorância, e não deveria ser assim, é perfeitamente natural que depois sejam incapazes de responsabilizar os seus representantes no Parlamento que, esse sim, é o órgão com competência legislativa para o efeito, mais incapazes ainda para eleger quem os proteja e não quem os assalte.
Foi nesta medida que a tal carta me impressionou. É um drama pessoal, é verdade que sim e solidarizo-me com todos na mesma situação. Mas está na hora de aprendermos a usar a democracia em nosso proveito em vez de nos limitarmos a choraminguices e a cartinhas pimba que não nos tiram do mesmo lugar.

Anónimo disse...

Caro Filipe Tourais...

Desconhecia o seu blog e depois do que li vou preferir ignorar, porque como se costuma dizer e usando a sua linguagem "vozes de burro, não chegam ao céu". Eu não sei o que o senhor faz da vida, mas gostaria de saber o que sentiria se tirasse um curso de 4 anos e tivesse que deixar tudo para trás para seguir o seu sonho, porque em Portugal não lhe dão valor. Mais ainda, não sei se alguma vez ficou doente (e não desejo que fique) mas um dia todos nós irmeos precisar de alguem que nos trate e aí tenho a certeza que irá mudar a sua opinião quanto aos enfermeiros - não são burros e um dia vai perceber isso...Rui

Filipe Tourais disse...

Caro Rui, eu não insultei nem menosprezei ninguém. Como disse atrás, solidarizo-me com todas as situações dramáticas que se lamentam de Norte a Sul de Portugal. Não é nada disso que aqui se trata. Diz-me que gostaria de saber o que sentiria caso tivesse que abandonar o país por falta de condições para dar seguimento a um projecto de vida que envolveu muito estudo e trabalho. Digo-lhe que o mesmo que os outros, talvez com uma pequena, no meu entender grande, diferença: não escreveria ao Presidente da República a pedir-lhe algo que não é da sua competência. Se ler o meu anterior comentário, está lá o resto sobre as consequências da maioria de nós desconhecer o funcionamento da nossa democracia.

Volte quando e sempre que quiser.

Anónimo disse...

Sinceramente o Filipe Tourais tem razão.
A culpa é de quem o povo elegeu para o representar em sede própria. Todavia o que ele não esclareceu, nem tal lho competia, é que "os que lá estão" são ainda piores dos que aqueles que estiveram antes, e assim sucessivamente. Até hoje e depois do 25 de Abril o estado português gastou aquilo que tinha e que não tinha. Se querem culpar alguém culpem que votou, quem vota e quem continua a acreditar piamente que algum dos votos que tão sabiamente, ou não, gasta são para contribuir ativamente para o seu bem estar. Todos os governos começam a queixar-se dos anteriores, a prometer coisas que nunca fazem e um mês depois de "pegarem o touro pelo cornos" dizem que o estado das contas públicas está pior do que aquilo que julgavam...

Voltando à vaca fria...
Se o enfermeiro vai para fora que o faça e boa sorte na sua aventura. Faz muito bem em emigrar, até porque foi um conselho do sr. 1º ministro. Fez muito bem em enviar a carta ao sr. Presidente até porque ele tem de ter alguma literatura para utilizar no WC, para fugir aos rótulos do champô e amaciador. Certo é que ele tem poder para vetar partes do OE 2013, pode vetar o mesmo por completo e submeter ao tribunal constitucional... pode mas não o vai fazer até porque se ele o fizer a malta não recebe subsídios de natal (os trabalhadores de 1ª do público: leia-se deputados, banco de Portugal, CGD, diplomatas, e pouco mais, nem subsídios de desemprego são pagos, nem despesas absurdas feitas à conta do Zé tuga, etc etc etc...

tenho dito...

Filipe Tourais disse...

Os três partidos que já nos governaram foram como diz e como todos sabemos. Felizmente que há outros partidos, e partidos que sempre estiveram ao nosso lado a defender-nos. Eu também não alinho nessa dos políticos todos iguais. Felizmente que não o são. Porventura quem ache que enviar uma carta para o Presidente ou para a Presidente da AR é a mesma coisa também não verá a diferença e alinhe nessa ladaínha, mas isso apenas contribui para a perpetuação no poder de quem temos que correr de lá para que enfermeiros e não enfermeiros possam viver em Portugal com toda a dignidade.

Anónimo disse...

Tanto o PCP como o BE já têm mostrado, nos debates da AR, que não têm qualquer intenção de governar o país. Aliás duvido muito sinceramente que um Portugal totalmente esquerda fosse um caminho correto e alinhado com os ideais da comunidade europeia, nem com um governo federativo que é o ideal subjacente da CE. Aliás a sra Merke, quer que a CE tenha o poder de vetar e alterar os OE que não cumpram as diretivas do pacto de estabilidade. Ora assim sendo o povo deixa de ter qualquer margem de manobra e passa a ser como uma vaca leiteira que apenas serve para ser ordenhada, desta feita em impostos. Temos o exemplo da Bélgica e da Islândia que deram a volta por cima à crise mas que têm uma mentalidade de culpar quem devem e de recuperar a economia e não de manter os tachos. Desde quando é que faz sentido subjugar um povo à vontade de um punhado de gente? Voltamos ao absolutismo? Grande parte das fatias monetárias da assistência a Portugal são para os bancos!! Derretemos 5,5 mil milhões de euros no BPN por causa de Berardos e afins ... com que direito? E o PS, BE e o PCP falaram, falaram e continuam a falar mas nem se misturam, exceto o BE e o PCP, nem fornecem soluções práticas e viáveis, nem são qualquer tipo de oposição em Portugal.

Eu sou da opinião que quem deve de estar a governar o país ainda tem de aparecer como força política. Quem lá está não serve de maneira alguma para o fazer.

Com o advento do 4º Reich se as economias de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Chipre, Grécia e agora a França continuarem a este ritmo estamos a braços com uma Europa com um futuro muito negro nos próximos 10 anos.

Filipe Tourais disse...

Começa por repetir um chavão que serve para perpetuar no poder os donos da ordenha e depois cita o caso islandês, precisamente um exemplo de rompimento com esses chavões que servem o que servem. Os islandeses correram com o poder instalado e puseram no seu lugar o que diz não ser solução e não querer governar. Dêmos-lhes votos e depois conversamos melhor sobre ambas. Sem votos é que não podem querer governar. Sem votos é que isto nunca há-de mudar.

Unknown disse...

Confesso que ontem ao ver a noticia me emocionei como pai como enfermeiro como jovem que fez seus projectos como enfermeiro há 18 anos que vê cada vez mais distante a realização dos seus objectivos é de uma revolta extrema ver aonde chegá-mos e ainda é mais revoltante perceber que ninguém tem culpa, não são apenas os jovens que são empurrados a imigrar que estão tristes mas todos os enfermeiros que se sentem roubados, desvalorizados e com falta de condições gritantes nos seus locais de trabalho, falta de material, falta de pessoal e vencimentos de 480 euros. Revolta-me ainda ver pessoas em blogs que apenas semeiam a divisão e a desorganização onde o grande objectivo seria a união de pessoas e de esforços para renovar quem nos governa, aqueles que nos enganam com promessas e fazem o contrario, mas pelos vistos algumas pessoas axam que o mal não está em quem mente mas sim em quem acredita nas mentiras??? Será???

Filipe Tourais disse...

Amigo, alertar para um alvo errado e para a necessidade de conhecermos a nossa democracia e as atribuições de cada um dos seus Órgãos não é dividir nem desorganizar, é precisamente o contrário. Está na hora dos portugueses deixarem de achar que não têm culpa nenhuma do que está a acontecer. Isto faz-se exigindo primeiro de nós própriose depois aos outros. Às pessoas certas e usando o voto para pôr as pessoas certas nos lugares certos, senão os remates sairão sempre ao lado da baliza.

Dinis Dias disse...

Filipe,

Creio que provavelmente está a dar demasiado enfoque ao tecnicamente correcto e não há simbologia da escrita do rapaz.

É verdade que a maioria dos que emigra não dramatiza a situação. Embarca na decisão muitas vezes porque simplesmente "tem que ser". No entanto, é de quem tenta algum diferente de que a história fala. Por exemplo, fazem-se greves com consequências danosas para o país, maioritariamente sem efeitos práticos e que facilmente caiem no esquecimento do receptor e do público em geral.

Este rapaz com um simples acto, conseguiu motivar uma resposta social que após vários dias ainda dá que falar. Sinceramente, creio que é preciso estar na pele dele e dos familiares para compreender bem a sensação de comprar um bilhete sem retorno, e simplesmente deixar tudo para trás.

Mas a verdade é que este povo "embrutecido" precisa de algo mais do que conhecimentos do funcionamento da democracia, pois na última década tem-se vindo a comprovar que o voto eleitoral é de nulo efeito. Ganhe A, B ou C, o resultado final é idêntico, pois dificilmente se vislumbram diferenças entre os militantes dos vários partidos. Com isto, a democracia em Portugal tem vindo a cair em descrédito, e os próprios partidos parecem mais preocupados em defender a sua imagem (e atacar a imagem dos opositores) em detrimento de encontrar soluções viáveis.

Por isso, para um povo sem rumo, valham-nos os símbolos que alimentem alguma esperança, porque de acertos técnicos de pouco efeito já está o país saturado.

Com os melhores cumprimentos de um jovem emigrante,

Dinis

Filipe Tourais disse...

Eu sei que é um drama enorme e já me solidarizei com todos e com todas na mesma situação. Só acho é que o estado a que chegámos muito deve à ignorância, patente no texto, do funcionamento de uma democracia que só por remoto acaso poderia funcionar com cidadãos que não sabem o que é que compete a quem. O senhor enfermeiro poderia bem ter-se informado antes da façanha e escrever "não permita que crie um imposto" em vez de "crie um imposto". Recuso, e estou no meu direito, contribuir com o meu aplauso para um país de heróis de tão triste figura.

Filipe Tourais disse...

Sobre a utilidade no voto em A, B ou C, talvez esteja na altura de tentar o D ou o E, é a única alternativa. Essa do tanto dá também é uma boa ajuda à emigração de mais enfermeiros e não enfermeiros e não será demais recordá-lo que no tempo da ditadura também se emigrava e não apenas por motivações profissionais.

Anónimo disse...

"este enfermeiro decidiu tornar público que abandona Portugal convencido de que é o Presidente da República quem cria os impostos neste país. Já se sabe, aliás toda a gente sabe, a culpa de isto estar como está é unicamente dos políticos."

O Sr. Aníbal Cavaco Silva, foi ministro da Agricultura, etc... É economista e já foi e é Presidente da República e foi o mesmo que estragou a pesca e Agricultura e se alguém tem culpa desta crise, este Senhor é um deles. Com tudo e insatisfeito ainda ganha 12.000 euros e ainda chora... Coitados daqueles que ganham o ordenado mínimo e têm filhos, pagar casa, seguros, água, luz, etc... Se o dinheiro do contribuinte é utilizado para o lazer de alguns, então algo está mal... Já tive orgulho do meu País e de ser Português, mas hoje em dia, só penso em sobreviver e sair deste país governado por gente corrupta se protegendo uns aos outros.

Dinis Dias disse...

Boa Noite,

Peço desculpa levantar a discussão para o blog (tentei contactar-te directamente, mas infelizmente nem por facebook nem pelas ferramentas do blog consegui o que pretendia).

Discordo com a ideia de votar em D ou E como algo que viesse a ser sustentável (por acaso, o BE não poderia ser o C?) - apesar de ser neles que geralmente voto.

Creio que apesar de nos partidos de menor dimensão haver pessoas bastante competentes e honestas, dificilmente teriam estrutura para estar à frente um país, ou até mesmo conseguirem atravessar o campo minado que é a política em Portugal, sem sofrerem rudes golpes.

Mas concordo que não podemos baixar os braços, e mesmo quando as alternativas não parecem viáveis, não deixam de ser alternativas.

Filipe Tourais disse...

Ou seja, quem nos tem afundado tem estrutura para estar à frente de um país e quem nos representa bem no Parlamento não é crível que tenha a mesma capacidade. É uma opinião, é a contrária da minha. E volto a insistir num ponto: os cidadãos não elegem Governos, elegem representantes no Parlamento. A tal "governabilidade" é conversa de perpetuação no poder de quem já provou aquilo que vae. Os resultados estão bem à vista.

Anónimo disse...

Só para dizer, que há 5 milhões antes desse elemento da geração à rasca que emigraram e não escreveram missiva nehuma ao Salazar... Mariquices! (Sydney)