sábado, 6 de outubro de 2012

A régia República

Cavaco Silva ainda discursava quando a manifestante gritou “Ninguém me ouve, ninguém me acode porquê?”. Luísa Trindade, 57 anos. vive com 224 euros por mês e sobrevive à custa do filho. Foi esse o motivo que a levou a manifestar a sua indignação perante o Presidente da República. “Sou uma pessoa livre, séria e honesta”, acrescentou. Os seguranças tentaram retirá-la do edifício para onde foi transferida a cerimónia oficial das comemorações da instauração da República do povo, que este ano quiseram decorressem bem longe do povo da República, com convites e à porta fechada, mas Luísa Trindade contrapôs que “ninguém a tirava” do local. Contudo, já no fim do discurso presidencial, a manifestante quis dirigir-se ao palco e os seguranças barraram-lhe a passagem. Nessa altura, gerou-se a confusão e Luísa Trindade acabou por sofrer ferimentos ligeiros quando os seguranças a retiraram de cena.

Foi então a vez de Cavaco Silva mostrar o que tem para oferecer a todos e a todas na mesma situação desta cidadã que já não está em idade de ser notícia por andar para aí a abraçar polícias e, talvez por isso, tenha motivado o embaraço desta voz de um tipo de jornalismo ao serviço do país das maravilhas: noutro vídeo, aqui, Cavaco virou as costas à jornalista da RTP que lhe perguntou como é que responde aos gritos desesperados de uma mulher que se queixa de não ter dinheiro para comer. Precisamente ele, que minutos antes tinha dito aos jovens para não virarem as costas ao seu país. Precisamente ele, que há uns meses, sem que ninguém lhe tivesse batido, se queixou de uma miséria feita de um múltiplo bastante gordo dos duzentos e poucos euros mensais que mais de um milhão de portugueses tem para sobreviver. O Presidente virou as costas. A pergunta já tinha sido respondida minutos antes pelos seus capangas: porrada. Resposta régia no dia da República do povo. Não. Aquela bandeira não estava ao contrário.

 

1 comentário:

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Cavaco virou as costas à jornalista da RTP que lhe perguntou como é que responde aos gritos desesperados de uma mulher que se queixa de não ter dinheiro para comer. Precisamente ele, que minutos antes tinha dito aos jovens para não virarem as costas ao seu país. Precisamente ele, que há uns meses, sem que ninguém lhe tivesse batido, se queixou de uma miséria feita de um múltiplo bastante gordo dos duzentos e poucos euros mensais que mais de um milhão de portugueses tem para sobreviver. O Presidente virou as costas. A pergunta já tinha sido respondida minutos antes pelos seus capangas: porrada. Resposta régia no dia da República do povo. Aquela bandeira não estava ao contrário.