quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A credibilidade, pois sim, a credibilidade

Apesar dos protestos, o Governo insistiu, e continua a insistir, em avançar com uma proposta de Orçamento absurda até nos pressupostos. A sua justificação fez rodar a cassette já gasta da credibilidade que alegam Portugal perderia junto dos credores e dos mercados caso o Orçamento aprovado se desvie nem que seja um cêntimo da proposta por si apresentada.
Precisamente um desses credores, o Fundo Monetário Internacional, depois de ter admitido um colossal erro de cálculo quanto aos efeitos da sua santa austeridade e dos avisos da mesma e de outras proveniências quanto aos perigos inerentes aos excessos da mesma solução, reviu agora os seus cálculos também sobre a contracção da economia portuguesa em 2013 e considera que esta pode triplicar ou mesmo quintuplicar aquele 1 por cento que o Governo tem previsto no OE 2013. Segundo os novos cálculos do FMI, é de prever que as políticas de austeridade levem a uma queda do PIB até um máximo de 5,3 por cento em 2013, mas nunca inferior a 2,8 por cento. O Governo fica a falar sozinho.
O argumento da credibilidade externa pulverizou-se definitivamente. Resulta mais do que evidente que Portugal perde credibilidade caso o Parlamento seja conivente com o Governo e aprove a sua solução final para a economia portuguesa. Ao mesmo tempo, cai o mito da estabilidade política: é o próprio FMI que quantifica os custos da manutenção em funções do actual Governo. O Governo estrebucha com o seu próprio veneno. A credibilidade de Portugal sairá reforçada aos olhos do FMI caso se confirme a demissão que se adivinha e arrasta há já demasiado tempo.

1 comentário:

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O argumento da credibilidade externa pulverizou-se definitivamente. Resulta mais do que evidente que Portugal perde credibilidade caso o Parlamento seja conivente com o Governo e aprove a sua solução final para a economia portuguesa. Ao mesmo tempo, cai o mito da estabilidade política: é o próprio FMI que quantifica os custos da manutenção em funções do actual Governo. O Governo estrebucha com o seu próprio veneno. A credibilidade de Portugal sairá reforçada aos olhos do FMI caso se confirme a demissão que se adivinha e arrasta há já demasiado tempo.