quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A "aristocracia operária"




Foi ontem, durante o programa do pressuroso Crespo, que ouvi pela primeira vez o termo "aristocracia operária". A criação é fruto da indignação do ex-empregador do querido plebeu que hoje dirige a equipa mandatada pela troika para não deixar pedra sobre pedra neste país povoado de comentadores com a independência apenas possível a homens tão bem colocados, que se insurgia contra os milhões em prejuízos causados à economia portuguesa pela greve parcial dos trabalhadores portuários. Imaginem lá que, em tempos, foi o próprio Ângelo Correia a assinar do seu punho recibos de vencimento que chegavam a indignidades com montantes superiores a 4 e a 5 mil euros.

Mesmo com dezenas de horas extraordinárias mensais, haveria que colocar um travão a esta autêntica vergonha nacional e fixar um tecto salarial a partir do qual tais aristocratas trabalhassem à borla, para evitar que mantenham o mau hábito de levar para casa ao final do mês uma quantia muito superior àquela que corresponde ao seu limiar de sobrevivência. Só assim se evitaria que, como agora, tenham uma capacidade económica que lhes permite fazer greves a horas extraordinárias durante meses a fio e causar prejuízos de milhões às forças vivas deste Portugal imoral.

Não podemos, em nome dessa moralidade que paga milhões a coleccionadores de cargos executivos ou não executivos em dezenas de administrações de empresas onde produzem a bom produzir, deixar que a lei da oferta e da procura se intrometa no mercado de trabalho. Aqueles milhões em prejuízos nada têm que ver com o valor de mercado do suor e sangue dos trabalhadores portuários. A lei da oferta e da procura é para aplicar apenas quando dá jeito e quando não esteja em causa o objectivo, nada comunista, de nivelar todos os salários ao mínimo dos mínimos que maximize a acumulação de riqueza daqueles a quem o mercado reconheça méritos sem cheiro a transpiração. Já imaginaram bem o que seria deste país se por aqui se instala uma mentalidade que admita a possibilidade, remota que seja, de poder enriquecer-se a trabalhar? Tenho a certeza que toda a gente desataria imediatamente a viver acima das suas possibilidades.

2 comentários:

Facebook share disse...

Mesmo com dezenas de horas extraordinárias mensais, haveria que colocar um travão a esta autêntica vergonha nacional e fixar um tecto salarial a partir do qual tais aristocratas trabalhassem à borla, para evitar que mantenham o mau hábito de levar para casa ao final do mês uma quantia muito superior àquela que corresponde ao seu limiar de sobrevivência. Só assim se evitaria que, como agora, tenham uma capacidade económica que lhes permite fazer greves a horas extraordinárias durante meses a fio e causar prejuízos de milhões às forças vivas deste Portugal imoral.

Anónimo disse...

Reacoes para que? Neste pais governado por BURROS e gerido por BURROS ESPERTOS que pagam o minimo possivel aos trabalhadores e pagam tarde ou nem sequer pagam aos fornecedores, no intuito de ter mais uma casa no algarve ou em outro local que esteja na moda, comprar mais um mercedes ou bmw e ou mais um carrito para a filha/o.... Comentarios ao que esses palhacos que enriquecem com o suor dos outros.... Problema e que comem todos do mesmo prato!.....