quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A AR vai perder um gigante


Francisco Louçã despede-se hoje do Parlamento, após treze anos consecutivos de tantas e tantas lutas, treze anos de escrupuloso e integral cumprimento dos contratos eleitorais que nunca esqueceu depois de ter conquistado cada mandato.
Curriculum e preparação técnica sem par em todo o hemiciclo, integridade e empenho exemplares, inteligência e espessura política invulgares, o Parlamento e o país vêem retirar-se pelo seu próprio pé um dos seus melhores de sempre: “Saio do Parlamento por uma razão e por mais nenhuma: Entendo, para mim próprio, que o princípio republicano marca limites à representação que tenho desempenhado e exige a simplicidade de reconhecer que essa responsabilidade deve ser exercida com contenção. Ao fim de 13 anos, reclamo a liberdade de influenciar o meu tempo: É agora o momento de uma renovação que fará um Bloco mais forte”, afirma na declaração distribuída à imprensa.
Evitei deliberadamente a palavra “coerência”. Para além da perda que encerra a decisão do próprio de abandonar a AR, lamento ainda que, apenas a meia dúzia de metros da linha de chegada, tenha por uma vez contrariado a coerência que sempre lhe reconheci com o gesto nada republicano de nomear sucessores para a liderança do Bloco de Esquerda, propondo ainda um modelo de liderança bicéfala, quanto a mim, absurdo, para um tempo que já não será o seu. E aponto-o não apenas em nome da minha própria coerência, sou subscritor da moção que defende um caminho alternativo para o Bloco, sobretudo para realçar uma carreira parlamentar exemplar: o objecto do meu reparo é a renovação mencionada na comunicação do parágrafo anterior e nada tem que ver com o excelente trabalho que ora conhece o seu ponto final. Francisco Louçã deixa saudades. Vai fazer-nos falta no Parlamento.

1 comentário:

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Francisco Louçã despede-se hoje do Parlamento, após treze anos consecutivos de tantas e tantas lutas, treze anos de escrupuloso e integral cumprimento dos contratos eleitorais que nunca esqueceu depois de ter conquistado cada mandato.