terça-feira, 25 de setembro de 2012

Longe do fim

Eles pensam que podem continuar a gozar. Cedem à rua quanto à TSU para aumentarem o IRS e outros impostos logo a seguir. extinguem ou retiram apoios a algumas fundações para não tocarem na restante maioria, cortam salários,  pensões de reforma e protecção no desemprego e dão dois anos de rendimentos aos administradores da ERSE depois destes terminarem o seu mandato. Os salários pagam. Os outros tipos de rendimento não podem pagar muito porque "diz que fogem para o estrangeiro", isto é, que descobririam imediatamente outro povo tão generoso como nós fomos até agora, disposto a pagar o que eles não podem e nós não queremos por não haver razão que justifique pagarmos na vez deles. Este é um inferno que parece não ter fim.

Há quem tenha dado como cumprido o seu dever depois de ter participado nas manifestações de 15 de Setembro. A comunicação social voltou a trabalhar afincadamente na construção de uma resignação feita de medo e de ocultação de alternativas. E ainda estamos em 2012, a meta orçamental para este ano foi fixada em 5% do PIB, ainda não sentimos a austeridade que será imposta para satisfazer o objectivo de 4,5% de um PIB que encolherá em 2013 ao mesmo tempo que se reduzirão as receitas fiscais e muito menos imaginamos o que nos roubarão em 2014 para manterem vivo idêntico objectivo ao nível de 2,5% de um PIB ainda menor do que o de 2013, com receitas fiscais também menores e um desemprego sempre a crescer. O que vivemos hoje é uma enorme tragédia, mas ainda não é nada se comparado com o que aí vem mantendo-se a mesma receita de austeridade selectiva, reconfiguração social, promoção do aumento das desigualdades e manutenção dos privilégios das eternas clientelas do centrão.

E não resta outra. Todos os caminhos vão dar à manifestação convocada pela CGTP para o próximo Sábado. Há quem diga que não vai por ser uma iniciativa de uma central sindical e que também se recusaria a comparecer caso a convocatória fosse da autoria de algum partido. É como se esta luta tivesse começado agora. É como se não houvesse políticos e forças partidárias com um passado que os e que nos orgulha. É como se ter pensamento político estruturado, saber o que se quer tão bem como o que se recusa e ter capacidade organizativa fossem crimes horríveis. Pois. Não é de um dia para o outro que se recupera de uma, duas, três décadas a mudar de canal quando chega a hora do telejornal e a evitar conversas menos divertidas sobre política, do mesmo tempo sem esboçar reacções de qualquer tipo a salários e direitos que deixaram substituir por crédito fácil e da mesma eternidade a reconduzir ou a deixar reconduzir no poder os bons samaritanos que enriqueceram à nossa custa. Estão a despertar agora. Vão-se inteirando sobre quem é quem e sobre quem defende o quê e como. Já não é mau. Um dia destes poderemos finalmente contar com eles. Tempo é o que menos nos falta. Por agora, 15 de Setembro mostrou-nos como fazê-los recuar. Todos juntos. Vamos.

(editado) 

1 comentário:

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Eles pensam que podem continuar a gozar. Cedem à rua quanto à TSU para aumentarem o IRS e outros impostos logo a seguir. extinguem ou retiram apoios a algumas fundações para não tocarem na restante maioria, cortam salários, pensões de reforma e protecção no desemprego e dão dois anos de rendimentos aos administradores da ERSE depois destes terminarem o seu mandato. Os salários pagam. Os outros tipos de rendimento não podem pagar muito porque "diz que fogem para o estrangeiro", isto é, que descobririam imediatamente outro povo tão generoso como nós fomos até agora, disposto a pagar o que eles não podem e nós não queremos por não haver razão que justifique pagarmos na vez deles. Este é um inferno que parece não ter fim.