segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Devolvam-nos as nossas vidas


Foi um Sábado em cheio, memorável, com mais de 30 cortejos fúnebres por todo o país. A luta é alegria, cantavam os outros. E assim foi, salvo desonrosas excepções e apesar de ter sido uma desgraça gigantesca o que desmobilizou cerca de um milhão de portugueses das suas rotinas de fim-de-semana. As exéquias contemplaram a confiança no Governo e a tolerância às suas políticas. Enterrou-se uma paz podre, imediatamente baptizada de "amplo consenso social",  da qual, durante mais de um ano, se serviram aqueles que, objectiva e literalmente, andam a enterrar o país.

Hoje foi uma Segunda-feira que se notou diferente. No ar ainda se respira muita poeira levantada por 2 milhões de pés que pisaram bem firme o seu BASTA. O incómodo entre os profissionais do tudo bem entorpecedor de consciências continua  por demais evidente. Aconteça o que acontecer a partir de agora, e tudo está em aberto, resulta claro que nada será igual ao que foi até 15 de Setembro de 2012.

E é bom sentirmo-nos gente outra vez. Gente que gosta de ser tratada como gente, gente que não aceita não ter vida de gente, gente com direito a um futuro de gente. Gente desabituada a envolver-se em causas colectivas a aprender que nada se conquista em silêncio.

Devolvam-nos as nossas vidas. Foram-nas levando, uma por uma, diante de olhos indiferentes ao que acontecia aos outros,  convencidos que nunca chegaria a vez da sua. Assim conseguiram levá-las quase todas, assim continuariam a fazê-lo sem o BASTA de Sábado passado. Está na hora de exigi-las de volta. A luta começa agora. Com todos e com todas, todos ao mesmo tempo, todos por todos, porque só assim se ganha. Se é que a experiência já foi suficiente para aprender como se perde.

1 comentário:

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Hoje foi uma Segunda-feira que se notou diferente. No ar ainda se respira muita poeira levantada por 2 milhões de pés que pisaram bem firme o seu BASTA. O incómodo entre os profissionais do tudo bem continua por demais evidente. Aconteça o que acontecer a partir de agora, e tudo está em aberto, resulta claro que nada será igual ao que foi até 15 de Setembro de 2012.